Americano é condenado a 10 anos de prisão por ‘infiltração’ no Irã

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Um cidadão americano, acusado de “infiltração”, foi condenado a dez anos de prisão, anunciou neste domingo (16) a Justiça iraniana, sem revelar a sua identidade.

“Um americano, que também possui uma outra nacionalidade, foi identificado e detido pelos serviços de inteligência”, declarou o porta-voz da Justiça, Gholamhossein Mohseni-Ejeie.

“Ele entrou no país para uma missão de infiltração e foi condenado a dez anos de prisão”, acrescentou numa coletiva de imprensa transmitida pela televisão estatal.

Mohseni-Ejeie não informou a data da prisão nem a identidade da pessoa detida. “Este indivíduo era guiado diretamente pelos americanos” em sua missão, indicou, sem explicar a natureza desta missão.

O americano “vai recorrer de sua condenação”, afirmou o porta-voz, ressaltando que novos detalhes serão informados “assim que a pena for confirmada”.

Dois cidadãos com dupla nacionalidade, iraniana e americana, o empresário Siamak Namazi e seu pai Mohammad Bagher Namazi, foram condenados em outubro de 2016 com outras quatro pessoas a dez anos de prisão por “espionagem” para Washington.

Siamak Namazi havia sido detido em outubro de 2015. Seu pai, Bagher, com atualmente 81 anos e que havia trabalhado para o Unicef, foi preso em fevereiro de 2016 quando tentava obter a libertação do seu filho.

Os Estados Unidos pediram várias vezes a libertação dos dois homens.

Washington também pede a cooperação de Teerã no caso de Robert Levinson, um ex-agente do FBI desaparecido no Irã desde 2007.

– Tensões –

Em janeiro de 2016, quatro pessoas com nacionalidade iraniana e americana, incluindo o jornalista do Washington Post Jason Rezaian, acusado de espionagem, e o ex-marine Amir Hekmati, foram libertados em troca de sete iranianos processados nos Estados Unidos. Um quinto americano foi igualmente libertado, mas fora desta troca.

Os sete iranianos processados nos Estados Unidos beneficiaram de uma clemência.

O Irã e os Estados Unidos romperam relações e 1980 e, desde a chegada do presidente americano Donald Trump à Casa Branca, a tensão é crescente entre os dois países, principalmente depois da adoção pelo Congresso dos Estados Unidos de medidas hostis contra Teerã.

Trump rompeu com a política de seu antecessor Barack Obama, reforçando os laços com a Arábia Saudita e trabalhando para um “isolamento” iraniano. Washington acusa Teerã de ser uma “ameaça” regional, que “desestabiliza” diretamente ou por meio de grupos “terroristas” a Síria, o Iraque, o Iêmen e o Líbano.

O presidente americano também denuncia com frequência o acordo nuclear concluído em julho de 2015 entre o Irã, os Estados Unidos, a Rússia, a China, a Alemanha, a França e a Grã-Bretanha.

Em junho, o Senado americano aprovou um projeto de lei em favor de novas sanções contra o Irã, que deve ser examinado pela Câmara de Representantes.

Neste contexto, os bancos internacionais hesitam em trabalhar com o Irã, temendo medidas punitivas dos Estados Unidos.

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