Aranha usa olhos para medir distâncias e ferrar com as presas

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Aranhas são criaturinhas muito lindinhas. Aqueles filhotes da Ungoliant vêm em todos os tipos, sabores e tamanhos, sempre prontas para tratar suas vítimas convidadas com o maior amor e carinho, envolvendo-as com um lindo cobertorzinho de seda. Uma pena que muitas são ariscas e preferem não dar mole para s pernudas.

A tarântula Lycosa tarantula não tem problemas com fujões. A Miserárver embosca a sua presa; para tanto, faz uma moradiazinha na faixa sob a forma de uma toca de cerca de 20 cm de profundidade e coberta por uma estrutura com a forma de minitorre usando galhinhos. Ou seja, essa tarântula tem mais habilidade do que você. Mas, antes de mais nada, essa pernuda tem um belo diferencial que lhe dá essas capacidades todas: visão.

O dr. Joaquín Ortega Escobar é professor da Faculdade de Psicologia da Universidad Autónoma de Madrid . Sua especialidade é neurociência, com ênfase em psicologia da visão. Eu nem sabia que visão envolvia psicologia.

Há anos que se estuda a L. tarantula. Em 1999, descobrira, que essa espécie de aranha se vale da luz polarizada do céu para conhecer a sua posição em relação ao seu ninho, numa espécie de GPS natural. Agora, a pesquisa recente mostra que cada par de olhos da tarântulinha do coração são responsáveis por medir a sua distância em relação a objetos.

Quer saber o pior? Ela nunca volta pelo mesmo caminho. Ela se move como se tivesse seguindo os lados de um triângulo retângulo, retornando ao longo da hipotenusa.

Então, vejamos. Esta desgracenta, filha do capeta, não só sabe onde está, sabe se localizar, consegue calcular a sua distância em relação ao que quer que seja e ainda constrói um barraquinho para catar presas?

Para ter certeza do que tinha hipotetizado, Joaquín e seu pessoal cobriram os olhos da aranhinha com tinta solúvel em água, de forma que ela ficasse cegueta. Soltaram a criatura longe do seu lugar de repouso e ao invés de percorrer a distância de uma vez só, ela ficou a 8,5 cm do ponto inicial, ou seja, ela sabia para onde tinha que ir, mas ficou igual a uma imbecil sem saber se realmente tinha chegado.

Corre à boca pequena que um dos alunos queria testar a relação da quantidade de pernas das aranhas e a sua capacidade auditiva, mas o dr. Quinzinho não levou os testes à frente., já que ele é um cientista sério e não um mané de uma piada.

De acordo com o dr. Quinzinho, o olho lateral anterior dessa aranha percebe o campo de visão ventral (pra baixo). Se eles estiverem cobertos a aranha se confunde, pois não pode usá-los para observar o terreno e, assim, deduzir o quanto andou.

A importância disso é estudar como se deu a evolução dos olhos, e entender como diferentes animais vivem e têm os seus órgãos sensoriais desenvolvidos. Tudo bem, parece algo meio sem sentido, mas ciência é procurar entender sempre mais, pois no final, sempre se arruma uma utilidade prática.

A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Experimental Biology