O primeiro barco a funcionar totalmente a partir de energia renovável iniciou sua volta ao mundo no último sábado, 15. Durante os seis anos de viagem, o Energy Observer pretende visitar 101 portos diferentes, em 50 países. Para cumprir o cronograma, o modelo operará de forma 100% sustentável, já que a energia para seu funcionamento vem apenas do Sol, do vento e da água do mar.

Criado em 1983 originalmente como um barco de corrida, o Energy Observer foi recentemente transformado em uma embarcação “verde” por pesquisadores franceses. O grupo é liderado por Victorien Erussard e Jérôme Delafosse, e foi desenvolvido por 50 pessoas – entre engenheiros, designers e arquitetos. Estima-se que a ideia tenha custado pelo menos 5 milhões de euros (algo como R$ 16 milhões).

O barco aportou em Paris no início do mês e ficou alguns dias disponível para visitação, até deixar a capital francesa neste fim de semana rumo ao Oceano Atlântico. Dentre os roteiros a serem visitados, estão cidades ligadas à criação de soluções com energia limpa, ou famosas por seus esforços ambientais – além de eventos internacionais como mostra de barcos e feiras de negócios.

Para se mover pelos setes mares com seus 30,5 m de comprimento, o barco utiliza a energia solar que capta com seus painéis e o vento para fazer girar suas turbinas eólicas.

Como o show não pode parar, o Energy Observer está preparado também para navegar à noite – que é quando entra em cena sua bateria especial. O dispositivo faz a eletrólise da água do mar, dando ao barco o hidrogênio necessário para alimentar seus motores elétricos enquanto a luz não volta.

Além de ser zero poluente, a técnica tem a vantagem de ser bem mais eficiente. Isso porque a célula de hidrogênio pode armazenar até 20 vezes mais energia que baterias convencionais.

“Não há nenhuma solução milagrosa para o combate às mudanças climáticas: existem apenas soluções que precisamos descobrir juntos como executar. É isso que estamos fazendo com o Energy Observer, aliando as fontes naturais de energia à elementos de nossa sociedade”, diz Victorien Erussard, em comunicado no site oficial. “Estamos trazendo para nosso projeto o conhecimento de empresas, laboratórios, startups e organizações”, completa