Como a bancada da bola votará a denúncia contra Michel Temer na Câmara

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Se Michel Temer dependesse só da bancada da bola na Câmara para se manter no poder, encararia uma votação apertada, mas provavelmente favorável à sua continuidade na presidência. Dos 17 deputados federais que possuem ligação com o futebol, oito pretendem votar contra o peemedebista em plenário no dia 2 de agosto. Insuficientes para que a denúncia por corrupção prossiga para o Supremo Tribunal Federal (STF) e cause o afastamento do presidente, ante a necessidade de pelo menos dois terços dos votos – nesta amostra, 11 – para que a denúncia seja admitida.

>> O placar da denúncia contra Temer no plenário da Câmara

Dentre os deputados que jogam no campo contrário a Temer há aqueles óbvios, sobretudo pelo posicionamento de seus partidos na política atual. O ex-presidente corintiano Andrés Sanchez (PT-SP), o ex-judoca João Derly (Rede-RS), o ex-ministro do Esporte Orlando Silva (PC do B-SP) e o diretor da CBF Vicente Cândido (PT-SP) estão todos na oposição ao PMDB desde o impeachment de Dilma Rousseff.

Outros que anunciaram votos contrários ao presidente são menos óbvios, casos de Otávio Leite (PSDB-RJ) e Silvio Torres (PSDB-SP), ambos envolvidos em longa data com projetos de lei e CPIs ligados ao futebol, do ex-jogador do Fluminense Deley (PTB-RJ) e do ex-presidente da Portuguesa Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Seus partidos não fecharam questão – ou seja, não obrigarão seus parlamentares a votar em bloco – e estão divididos entre o apoio e o ataque a Temer.

No campo contrário, três declararam que votarão contra a admissibilidade da denúncia, portanto a favor do presidente peemedebista. São os que compõem a base aliada do governo na Câmara: o ex-árbitro Evandro Román (PSD-PR), o ex-presidente do Vitória José Rocha (PR-BA) e o diretor da CBF Marcelo Aro (PHS-MG).

No meio do caminho há seis deputados. São eles que, a depender do lado em que jogarão no momento derradeiro, decidirão a parada. O conselheiro do Corinthians Goulart (PSD-SP) e o presidente da Federação Amapaense de Futebol (FAF) Roberto Góes (PDT-AP) dizem ainda estar indecisos sobre seus votos. Outros não quiseram comentar. O ex-dirigente do ABC Rogério Marinho (PSDB-RN) e o vice-presidente da CBF Marcus Vicente (PP-ES) disseram à reportagem que preferem não se manifestar até o dia da votação.

O ex-goleiro Danrlei (PSD-RS) afirmou que está em licença médica até o dia 17 de julho. Embora a votação vá acontecer em 2 de agosto, quando provavelmente estará liberado, o deputado prefere não se manifestar em relação ao seu voto até que o médico lhe libere. Um hábito boleiro. O ex-presidente do Atlético-GO Jovair Arantes (PTB-GO), por fim, não respondeu as mensagens deixadas por ÉPOCA em seu celular e, na única vez em que atendeu a uma ligação da reportagem, disse estar ocupado e desligou em seguida.

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