O dólar segue em alta no mercado doméstico nesta segunda-feira, 19, estendendo ganhos acumulados de 2,12% em junho até sexta-feira passada, em meio à percepção de aumento do risco político após a acusação do empresário Joesley Batista, principal acionista do Grupo JBS, de que o presidente Michel Temer é o “chefe da maior e mais perigosa organização criminosa”. Também ajuda o fortalecimento do dólar no exterior após comentários do presidente do Fed de Nova York, Willian Dudley, de que não aumentar os juros poderia gerar recessão.

Internamente, os investidores estão na expectativa de que a Polícia Federal finalize as investigações sobre Temer e que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente denúncia contra o presidente por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça.

Diante das novas revelações de Joesley, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) cobra do presidente da Câmara, Rodrigo Maia – que assume o lugar de Temer durante sua viagem que vai desta segunda até sexta-feira à Rússia e Noruega -, que paute com urgência a análise dos pedidos de impeachment do peemedebista, que estão parados na Casa, um deles da própria entidade. Maia rebateu dizendo que “não cabe à OAB comentar ritos do processo legislativo”. Há expectativas ainda de votação da reforma trabalhista na terça na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.

Para profissionais do mercado financeiro, apesar das condições de governabilidade de Temer ficarem cada vez mais precárias, os ajustes dos ativos seguem discretos porque os investidores ainda têm esperanças na aprovação da reforma da Previdência neste ano, ainda que com medidas menos abrangentes.

Às 9h35, o dólar à vista estava na máxima, aos R$ 3,3093 (+0,53%). O dólar futuro para julho subia 0,42%, aos R$ 3,3190.

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