Em 10 anos, Blog Viajologia leva leitores a descobrir mais de 70 países

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O blog Viajologia, de ÉPOCA, comemora nesta terça-feira, 20 de junho de 2017, seu 10º aniversário. Durante estas 522 semanas, publicamos 650 histórias de viagens e de natureza que tiveram como cenário 72 países.

O primeiro artigo foi postado em 20 de junho de 2007. Na ocasião, eu me preparava para embarcar dos EUA à Mongólia, onde passaria um mês no país de Gêngis Khan, escrevendo sobre as estepes, os cavalos, os tempos budistas, a vida selvagem, um trekking de camelo, o festival Naadam e muitos outros temas. Uma aventura especial acabou nas páginas da revista ÉPOCA: as arcas sagradas do deserto de Gobi.

Em 2017, encontrar um Wi-Fi na Mongólia para entrar na internet não era uma tarefa tão simples. Uma solução foi abusar da conexão de um restaurante francês na capital Ulan-Bator. Depois de jantar no local duas vezes por semana, checava meus e-mails, lia as dezenas de comentários e iniciava meus envios. Para dar tempo de concluir a transmissão das fotos, pedia sempre uma mousse de chocolate extra.

Após a Mongólia, meu próximo destino foi o Tibete. Mesmo se dominado pelos chineses, essa sociedade do Himalaia me fascinava por sua cultura e suas tradições. Conversando com monges, comerciantes e fiéis budistas – quase todos sob a condição do anonimato – aprendi muito sobre a situação oprimida do tibetano. Mas não podia escrever tudo que via e ouvia no blog Viajologia: ainda ficaria algumas semanas na China e já havia aprendido que o governo era mestre em retaliações. Tive de esperar meu retorno ao Brasil para publicar nas páginas de ÉPOCA minha visão mais completa sobre a repressão no Tibete.

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Em 2008 regressei à Ásia – Butão, Nepal e Mianmar – para buscar novos assuntos para o blog Viajologia, mas meus olhos já estavam voltados à África, continente que me chamava para uma longa jornada terrestre. Depois de um ano de preparação, a expedição jornalística “Luzes da África” teve início na Cidade do Cabo, África do Sul, em novembro de 2009. Durante nove meses e 40 mil quilômetros, meu filho Mikael e eu cruzamos 18 países do sul e do leste africano, fotografando, filmando, enviando material para ÉPOCA e Canal Futura e alimentando o blog Viajologia com dois posts semanais. Um pouco de diversão e muito trabalho.

Voltei ao Brasil em meados de 2010 com uma vontade ainda maior de contar histórias. Além de continuar nutrindo o blog Viajologia, resolvi escrever um livro sobre a jornada africana. Mais do que competir com o blog, os seis meses que precisei para redigir “Luzes da África” estabeleceram uma nova relação com meus leitores do blog. Organizei vários concursos para que os leitores escolhessem as melhores fotos da viagem em diferentes categorias e as melhores frases para a contracapa. Em troca, dezenas de exemplares foram sorteados entre aqueles que haviam deixado seus comentários.

Para a seleção final da capa do livro, o post de 23 de dezembro de 2011 recebeu 364 comentários com votos. A capa com a foto de três mãos de guerreiros da etnia Maasai foi a preferida por metade dos leitores. Como confessei no próprio blog, minha foto favorita, antes da votação, era a do deserto (nº 1, abaixo). Mas depois de ler atentamente os comentários, mudei de ideia e acabei seguindo a opinião dos leitores, escolhendo a nº 3. Conclusão, a interatividade do blog foi essencial até mesmo para a escolha final da capa de “Luzes da África”

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Foi em 2011 também que a primeira matéria do blog Viajologia viralisou. Em 31/03 fotografei na charmosa Paraty o casamento de dois jovens parisienses que adoram o Brasil. Intitulado Venha se casar no Brasil: turismo matrimonial em alta em Paraty, o post recebeu no primeiro dia mais de 30 mil cliques e, durante esses últimos seis anos, cerca de um milhão de leitores leram a matéria.
 

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Publicada no Carnaval de 2015, outra matéria também chegou à marca de um milhão de pageviews. Com o nome “A Guiné Equatorial que não vimos no Sambódromo do Rio”, a crônica relata minha viagem ao país regido pelo ditador de Teodoro Obiang. No ano anterior, Teodorin, filho do ditador, entusiasmado com o carnaval brasileiro, patrocinou a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis com R$ 10 milhões de reais com a condição de que o diminuto país pudesse ser o tema principal do desfile.

A Guiné Equatorial mostrada pela Beija-Flor foi linda, colorida e encantadora. A comissão de frente, composta por 15 guerreiros, montou uma árvore da vida e deu show de criatividade. Os carros alegóricos eram espetaculares. Em um deles, havia uma floresta rica, cheia de animais. O dinheiro do patrocínio acabou dando à Beija-Flor o título de Campeã do Carnaval Carioca 2015. Diferente do brilho mostrado no desfile, a matéria revelou a pobreza, a devastação da natureza e o desmatamento que vi no local.

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A terceira matéria mais lida nessa década também se remete à África, mas, desta vez, com uma notícia positiva sobre a Etiópia: “Moringa, a árvore mágica que pode acabar com a fome no mundo”. Mais de 320 mil leitores aprenderam que a moringa possui sete vezes mais vitamina C que a laranja, quatro vezes mais vitamina A que a cenoura, quatro vezes mais cálcio que o leite de vaca, três vezes mais ferro que o espinafre e três vezes mais potássio que a banana. E mais: a composição de sua proteína mostra um balanço excelente de aminoácidos essenciais (aqueles que precisamos ingerir pois o corpo humano não os produz). A moringa oferece outro presente às comunidades. Devido à composição das sementes, quando estas são trituradas e misturadas a uma água turva e não potável, a combinação torna a água limpa. Pesquisadores do Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais comprovaram, em testes de laboratório, que as sementes da moringa conseguem remover 99% da turbidez da água.
 

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Na mesma categoria – plantas que ajudam a lutar contra a pobreza – Giselle Paulino e eu publicamos, no final de 2016, outra matéria de sucesso que atingiu cerca de 150 mil pageviews. O post “Conheça a ensete, a falsa banana que consegue vencer a fome na Etiópia” explica como a polpa do pseudocaule da falsa-bananeira, depois de fermentado por várias semanas, torna-se um alimento – o kocho – que pode ser a solução para combater a fome para 10 milhões de etíopes.

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Além destas quatro campeãs, diversas matérias bombaram. No Brasil, foram os passeios clássicos que sobressaíram. A história da empresária francesa Emmanuelle Tonnerre, que transformou sua casa de veraneio em um hotel boutique em Búzios, rendeu mais de 50 mil cliques. A frase da empresária que serviu de título para a reportagem – “não havia hotéis com o conforto exigido por europeus” – pode ter mexido com os brios de alguns leitores mas foi a base para que ela construísse seu hotel de sonhos na praia da Ferradura.
 

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Há poucos meses, em fevereiro deste ano, um fim de semana na ilha de Paquetá rendeu duas crônicas sobre o bairro carioca. Alguns moradores resolveram que deveriam fazer de sua casa o palco ou a vitrine de suas atividades profissionais. Essa vontade de abrir sua própria residência aos amigos e ao público tomou forma, ampliou-se e está dando certo. As duas matérias atingiram mais de 50 mil leitores.

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Dezenas de outras matérias bombaram durante esses últimos 120 meses e o blog Viajologia, com suas 650 matérias, constitui-se hoje em um rico acervo de dicas de viagens e de informações que podem ser úteis ao viajólogo, aquele que considera a Viajologia como a arte e a ciência de viajar.

Listo abaixo três links de reportagens que recomendo a leitura: 

Flores da África do Sul
 

As tradições dos pastores da Etiópia
 

A Alameda dos Baobás em Madagascar