Lola Cars: a história da construtora que ajudou a Ford a desenvolver o GT40

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No último dia 28 de maio, o automobilismo perdeu um de seus grandes nomes das pranchetas: Eric Broadley, engenheiro e fundador da Lola Cars, que morreu aos 88 anos.

Lola Cars: a história da construtora que ajudou a Ford a desenvolver o GT40

Para os mais desavisados ou que só acompanham a F1, esqueçam quando o nome desta empresa é veiculado apenas aos fracassos na categoria de fórmula, especialmente os mais recentes. A Lola é uma das companhias mais importantes da história do esporte a motor mundial por conta da visão de seu líder.

Broadley fez parte de uma geração importante de projetistas que teve papel importante e assistiu ao desenvolvimento dos estudos aerodinâmicos que culminaram no que vemos hoje no automobilismo.

Lola Cars: a história da construtora que ajudou a Ford a desenvolver o GT40

E um dos motivos para merecer tantas homenagens é que ele foi um dos mais prolíficos entre eles, com carros levando a sua assinatura nas mais diversas categorias do mundo, passando pela Indy, Le Mans, Can-Am, F-5000, F2, F3000, F3, WRC, tudo mais que você possa pensar. E o mais encantador desta história é que, além de rápidos, os Lolas, em geral, eram belos, o que aumentou ainda mais o fascínio por suas máquinas.

Uma de suas criações de maior sucesso, o Lola T70, teve mais de 100 unidades produzidas para correr em diversos campeonatos pelo mundo, inclusive em provas de esporte-protótipos no Brasil. O modelo protagonizou até mesmo um filme de George Lucas como um carro de polícia do futuro no clássico cult THX 1138, de 1971, nas mãos do ator Robert Duvall.

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Com formação em arquitetura, Broadley trabalhou por um tempo no setor de construção até que um dia seu primo Graham, que estava adaptando um Austin 7 para competição no começo dos anos 50, o deixou que ele desse umas voltas com o carro em Silverstone.

“Fui extremamente lento, mas fui laçado. Eu gostei mais da parte de engenharia e construção do carro do que pilotá-lo, então, decidi construir um 1172 Formula [competição nacional inglesa dos anos 50 conhecida também como Ford Formula Special]”, contou certa vez à revista Motorsport.

Assim como diversos projetistas ingleses de sua geração, entre eles John Cooper e Colin Chapman, ele começou a construir carros adaptando Fords. O seu primeiro modelo, o Broadley Special, começou a competir em 1956, conquistando diversas vitórias importantes.

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Assim, ele partiu para o Lola Mk 1, um esporte-protótipo em alumínio equipado com um motor Coventry Climax de 1100 cavalos. Broadley nunca soube explicar direito de onde veio a ideia do nome “Lola”, afirmando que ele estava tão focado no projeto que deixou Graham batizá-lo sem prestar muita atenção. A teoria mais difundida é que a nomenclatura foi inspirada por um musical da época, que tinha como uma das canções principais “Whatever Lola wants, Lola gets” [“O que Lola quiser, Lola consegue”]. Mas nem mesmo ele sabia dizer.

“Graham foi quem deu a ideia do nome. Eu não estava prestando a atenção nisso. Como muitas das coisas no começo [da empresa], isso não foi planejado, mas eu estava tão ocupado com as outras coisas e esse nome ficou. Acho que tinha algo com alguma das namoradas de Graham”, comentou.

De qualquer maneira, o Mk 1 foi mais um grande sucesso. Além de lindo, era extremamente rápido, batendo recordes de tempo na Inglaterra e conquistando vitórias em corridas importantes. Encomendas de pilotos começaram a chegar e o projetista percebeu que poderia seguir adiante com sua nova empreitada. Assim, nasceu a Lola Cars.

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Broadley passou a se arriscar aos poucos nas corridas monopostos até que chegou à F1 ainda no começo dos anos 60. Na história da Lola, pode-se dizer que a categoria foi o ponto fraco. Não foram poucas as tentativas, todas fracassadas, tanto por suas equipes próprias (o caso sempre lembrado da Mastercard Lola de 1997), mas também pelos projetos comissionados para Embassy Hill, Haas, Larrousse e Scuderia Italia.

Pelo menos em um momento, o inglês teve a chance de ver um de seus carros vencer uma etapa oficial da F1. A pedido de John Surtees, a Lola ajudou a Honda a desenvolver o RA300 em 1967. O carro ficou conhecido como “Hondola” e venceu o GP da Itália daquele ano, sob bandeira da equipe oficial da marca japonesa.

Mas por que procurar a Lola, se ela não estava se dando bem na F1? Bem, se tinha problemas com a categoria, Broadley já brilhava em outros cantos. Em 1966, a marca levou Graham Hill à vitória das 500 Milhas de Indianápolis com seu T90. A participação na categoria americana é um marco para a companhia, principalmente a partir dos anos 80. Ao total, são três conquistas na Indy 500 e sete títulos da série.

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Só que mais do que a Indy, se existe um trabalho da Lola com cada pé de cada lado do Atlântico e que todo fã de automobilismo e entusiasta de carros esportivos irá agradecer a Broadley para sempre é certamente o Mk 6, que deu origem ao Ford GT40.

O Projeto Motor já contou como aconteceu toda essa evolução e o trabalho direto do projetista junto com a marca americana que culminou no lendário esporte-protótipo americano, batizado dentro da Lola de GT/101 Mk I. O carro foi tetracampeão das 24 Horas de Le Mans entre 1966 e 69.

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Isso é só uma mostra que se não é a empresa mais vitoriosa da história, a Lola se tornou uma verdadeira fábrica de sonhos do automobilismo. No final dos anos 90, porém, após duas tentativas fracassadas de entrar na F1, a companhia passou a enfrentar sérios problemas financeiros. Naquele ano, não entrou em total insolvência porque foi salva por Martin Birrane, um empresário irlandês apaixonado pela marca.

A Lola seguiu competindo por mais alguns anos, com projetos importantes, principalmente na ALMS e Le Mans, tanto nas categorias LMP1 quanto P2. Em 2009, chegou a entrar em uma concorrência por uma vaga no grid da F1, mas foi preterida por não conseguir apresentar garantias financeiras de seu projeto (lembrando que foram escolhidas Campos – que se tornou a HRT -, Virgin e a USF1 – que nunca saiu do papel).

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Daquele ponto em diante, a empresa não conseguiu mais se reerguer até que em 2012 entrou em recuperação judicial, com diversos de seus bens sendo leiloados.

As empresas Multimatic e Haas Auto [de Carl Haas, não confundir com Gene Haas do atual Team Haas da F1]compraram alguns dos itens, incluindo a marca Lola e suas propriedades intelectuais. Se ainda veremos esse nome voltar a brilhar, não sabemos. O que podemos dizer é que Eric Broadley cumpriu seu papel durante os quase 60 anos de envolvimento com o esporte a motor e seu desenvolvimento.

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