O Rastro | Crítica

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Os vivos assustam mais que os mortos. Esse foi o pensamento dominante em minha mente após assistir o suspense dramático nacional “O Rastro”, do diretor J.C. Feyer, que depois de um longo período de espera finalmente chega aos cinemas nacionais. O filme que também tem sido divulgado como terror, expõe uma realidade tão dura e dolorosa da nossa sociedade, que fica difícil não associar seus acontecimentos ficcionais com a situação política/social atual do nosso país, onde a cada dia novos escândalos eclodem, corrupção e mais corrupção, o poder e o dinheiro público sendo utilizados para benefícios próprios dos políticos, enquanto a população sofre as consequências do descaso e desrespeito deles.

Nele acompanhamos a história do médico João Rocha (Rafael Cardoso), que trabalha na secretaria de saúde do Rio de Janeiro. Comprometido com o seu trabalho, João decidiu atuar na área burocrática por acreditar que assim teria a possibilidade de ajudar muito mais pessoas. Com a crise da saúde pública – o longa-metragem captou e apresenta inclusive algumas cenas de acontecimentos reais da cidade do Rio há alguns anos – o médico ficou responsável por coordenar o fechamento de hospitais decadentes e a transferência dos pacientes que lá estivessem. Com isso o médico retorna ao hospital onde fez sua residência, um dos que precisam ser fechados para tentar negociar com o diretor Heitor (Jonas Bloch) e antigo mentor a melhor maneira de se proceder. Durante a visita, João conhece  a menina Júlia (Natalia Guedes), uma das pacientes do local. Sozinha e assustada, Júlia diz à ele que tem medo de ficar ali, pois a noite ela ouve barulhos estranhos. Logo, ele se compromete a cuidar dela e promete que ela não tem nada a temer, contudo na noite da transferência Júlia desaparece misteriosamente, deixando João completamente preocupado e com um grande mistério em mãos.

A partir daí temos uma sequência de cenas excruciantes, nas quais o protagonista começa a se aprofundar na loucura de tudo que o está cercando e envolvendo. Para nos aproximar desse contexto do personagem, a evolução do roteiro é acompanhada de muitos efeitos visuais e sonoros, característicos em filmes do gênero. Mas nada disso seria o bastante sem o ótimo desempenho na atuação de Rafael Cardoso. Ele mergulha e nos leva com ele em sua incertezas, medos, culpa e desejo de “consertar” as coisas. Destaque também para a atuação de Leandra Leal, que dá vida a Leila, esposa de João. Ela quer ajudá-lo a desvendar o mistério, mas teme pela sanidade do marido, uma vez que o vê tão perturbado e aflito com a situação.

Apesar de crer que o roteiro de Beatriz Manela e André Pereira ter algumas questões que poderiam ter sido melhor desenvolvidas, trata-se de uma história bem interessante, contemporânea e brasileira, que mostra que não é preciso ir muito longe para encontrar outros caminhos para o nosso cinema nacional progredir e ampliar suas produções. Suas viradas e tramas são bem intrigantes, mas confesso que a narrativa poderia ter caminhado para um desfecho ainda melhor. Em todo caso acredita que vale a ida ao cinema e atenção ao que eles se propõe a mostrar e debater.

Título Original: O Rastro

Lançamento: 18 de maio

Direção: J.C. Feyer

Roteiro: Beatriz Manela e André Pereira

Elenco: Leandra Leal, Rafael Cardoso, Felipe Camargo, Claudia Abreu, Jonas Bloch e Alice Wegmann

Gênero: Drama, suspense, terror

Nacionalidade: Brasil

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