Há alguns dias perguntamos aos leitores quais eram os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – empresas nacionais que investem no esporte a motor sempre merecem ser lembradas por nós. Nossa sugestão foi a Hollywood, marca de cigarros do grupo Souza Cruz, que teve uma das equipes mais bem estruturadas do automobilismo e fez história na década de 70, e a primeira parte da lista com as sugestões de vocês pode ser conferida aqui.

Houve outras sugestões bem bacanas por parte dos leitores, mas algumas delas, por mais que tenham marcado presença em carros e corridas do Brasil, são empresas gringas. Exemplos são Cibié (França), Shell (Holanda), Skol (Dinamarca), Texaco (EUA), Castrol (Inglaterra) e Bardahl (EUA). São bacanas, mas não se enquadram no nosso critério.

Dito isto, houve outras sugestões bem legais que vocês deram. Confira agora quais foram elas!

 

Creditum

Os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – parte 2

Os entuiastas normalmente associam a combinação de azul e laranja à Gulf Oil, que ficou famosa por patrocinar ícones como o McLaren F1, o Porsche 917K e o Ford GT nas corridas de endurance. No entanto, se você quiser mostrar que é mais entendido, pode citar a Creditum. Ou melhor, a Brasilia Creditum de Ingo Hoffman.

Ingo é um dos mais versáteis pilotos do automobilismo nacional, correndo na equipe “Copersucar” Fittipaldi F1 em 1976 e 1977 e, de 1980 a 2008, na Stock Car, categoria da qual é o maior campeão do País, com nada menos que 12 títulos, sendo seis deles em sequência de 1989 a 1994. Mas ele também correu em categorias de turismo – como a Divisão 3.

Os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – parte 2

Para os fãs mais antigos, a Brasilia 1973 de Hoffmann, de motor boxer 1600 com dois carburadores e comando “bravo”, é o carro mais fortemente associado ao piloto. A cooperativa de crédito foi o primeiro patrocinador de Ingo, que conquistou o título da D3 com o VW. O carro foi vendido pouco depois, para que Ingo pudesse disputar suas primeiras corridas na Europa.

 

Ipiranga

Os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – parte 2

Fundada em 1937 na cidade de Porto Alegre/RS, a Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga participou ativamente do automobilismo brasileiro desde os anos 1990, pelo menos: olha só esta este Voytage fotografado na década de 1990 (o carro tem para-choques de plástico, lanternas lisas fumê e frente “chinesinha”). O registro foi postado no Blog do Sanco em 2008. Especula-se que a foto tenha sido feita no Autódromo de Tarumã.

A Ipiranga Racing é uma das mais vitoriosas da Stock Car, com mais de 70 vitórias em toda sua história. Thiago Camilo acompanha a equipe desde 2003 e, tem como destaque, a conquista do terceiro lugar em 2007 e 2008, além de um vice-campeonato em 2009, com a bolha do Chevrolet Vectra, atrás apenas de Cacá Bueno em seu Peugeot 307.

Os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – parte 2

A Ipiranga também patrocinou Bia Figueiredo na Stock Car e na Fórmula Indy, onde a piloto competiu de 2010 a 2013. A brasileira chegou ao fim das quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e seu melhor resultado foi o 15º lugar em 2013.

 

Itaipava

Os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – parte 2

Uma das companhias brasileiras de maior presença no automobilismo atualmente é o Grupo Petrópolis, que já patrocinou pilotos na Stock Car (Luciano Burti e David Muffato); Vanuê e Cleber Faria na GTBR3; e Renan Guerra e Alexandre Morsa na GTBR4, sendo que estas duas últimas categorias foram patrocinadas pela marca de cerveja.

Os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – parte 2

No entanto, podemos dizer que o ápice da participação da Itaipava no automobilismo foi estampando os carros da Brawn GP, com Rubens Barrichello, no GP do Brasil de 2011. Mais recentemente, a marca de energéticos TNT, também do Grupo Petrópolis, estampou os carros da Ferrari na Fórmula 1.

 

Cofap

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Fundada em 1955, a Cofap é outra das mais antigas empresas do ramo de componentes automotivos do Brasil, especializando-se em amortecedores e demais componentes de suspensão. Em 1998, a companhia foi vendida à italiana Magneti Marelli, cujo carro-chefe são os sistemas de ignição e injeção.

Na memória da maioria dos entusiastas está o cachorrinho Daschund das propagandas, mas a Cofap também patrocinou o automobilismo brasileiro nos anos 1980, com diversos carros de turismo do Brasileiro de Marcas e Pilotos patrocinados pela Cofap, em dinheiro e em amortecedores, claro.

 

Brahma

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A Itaipava definitivamente não foi a primeira cerveja brasileira a patrocinar o automobilismo. No fim dos anos 1960, um Lola T70 competiu pela Equipe Brahma em provas de longa duração. Em 1978, a Brahma participou da Fórmula Super Vê, para monopostos com mecânica Volkswagen.

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Já nos anos 1990, mais precisamentem em 1996, a Brahma comprou a americana Forsythe Green Racing, ou simplesmente Green, e colocou um carro com as cores vermelho, branco e dourado de seu rótulo na Fórmula Indy com Raul Boesel ao volante. O esforço durou apenas uma temporada, na qual Boesel foi o 22º colocado na classificação geral.

 

Petrobras

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Desde 2011 a Petrobras promove a Copa Petrobras de Marcas, ou Brasileiro de Marcas, uma das principais competições de turismo do automobilismo nacional – ainda que todos os carros utilizem o mesmo motor (um Ford Duratec de 2,3 litros e 300 cv), independentemente da fabricante da carroceria. No entanto, esta definitivamente não é sua única empreitada no esporte a motor.

De 1999 a 2002 a Petrobras manteve a equipe Petrobras Junior Team na Fórmula 3000, uma das principais categorias de entrada para a F1. Em quatro anos de disputa, a escuderia conseguiu oito poles e sete vitórias, e pilotos como Max Wilson, Bruno Junqueira, Jaime Melo Júnior, Antonio Pizzonia e Ricardo Sperafico, sendo que Ricardo foi o campeão de 2001.

Os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – parte 2

Atualmente, a Petrobras também é a patrocinadora titular da equipe Brasil Dakar, que tem representantes nas categorias para motos, SUVs, buggies e caminhões, participando das últimas edições do Rali Dakar.

 

Gledson

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A marca paulistana de jeans fez muito sucesso nos anos 1970, especialmente entre os jovens. Isto talvez ajude a explicar seu apoio firme ao automobilismo, patrocinando equipes de diferentes categorias ao longo dos anos 1970 e 1980: Fusca da Divisão 3, Opala da Stock Car, monopostos de Fórmula Vê e Fórmula 3, carros de arrancada e até mesmo karts carregavam o nome da Gledson.

Os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – parte 2 Os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – parte 2

Um dos grandes nomes associados à Gledson é o de Alfredo Guaraná Menezes, que morreu no início de 2017 e foi especialmente bem sucedido na Divisão 3 em meados da década de 1970, como rival de Nelson Piquet. Sem dúvida seu maior momento foi quandor, em 1978, ao lado de Paulo Gomes e Mario Amaral, Guaraná Menezes disputou as 24 Horas de Le Mans em trio. Em parceria com a equipe francesa Cachia Team, foi formada a Cachia Team Pace, homenageando José Carlos Pace, morto no ano anterior.

Os patrocinadores brasileiros mais marcantes do automobilismo – parte 2

O carro que a Team Pace conseguiu foi um Porsche 935, alugado, equipado com um boxer de 2,1 litros com turbo e nada menos que 700 cv. O carro foi todo decorado com os nomes de patrocinadores brasileiros e pintado nas cores vermelho e amarelo. E o nome da Gledson no para-choque dianteiro.

 

Menção “honrosa”: leite Bom Gosto e o copo que não havia

Como você sabe, é tradição na Indy 500 que o vencedor beba um copo de leite, e não de champanhe, por causa do piloto americano Louis Meyer, que pediu um copo de leite depois de vencer as 500 Milhas de Indianápolis pela segunda vez em 1933.

Na Indy 300 de 2010, em São Paulo, a produtora de leite Bom Gosto fez uma ação de marketing inspirada na tradição da Indy 500: o vencedor beberia seu leite no pódio. Will Power venceu mas, ao receber uma caixinha de longa vida, relutou em beber. Uma dúvida atormenta a todos o que presenciaram o desajeitado gole de leite que Power tomou naquele dia 14 de março: custava, ao menos, colocar o leite em um copo?

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