Parques da Caatinga têm orçamento menor que áreas da África e América Latina

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A Caatinga brasileira provavelmente é o bioma mais discriminado do país. Ela representa 10% do território nacional. Mas é um dos biomas menos protegidos. Também recebe poucos recursos para as poucas áreas de conservação criadas ali.

Os pesquisadores Ana Paula Carneiro de Oliveira e Enrico Bernard fizeram um levantamento do estado de conservação da Caatinga. Eles são da Universidade Federal de Pernambuco. Segundo o estudo deles, o governo federal alocou recursos para 20 Unidades de Conservação no bioma entre 2008 e 2014. A compra de terras consumiu 75% do dinheiro.

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O orçamento total para as 20 Unidades de Conservação da Caatinga oscilou de US$ 231.575 (cerca de R$ 761 mil), em 2008, para US$ 13,5 milhões (cerca de R$ 43 milhões), em 2011. Mesmo incluindo salários, o orçamento para as Unidades de Conservação é 13 vezes menor que o que Ministério do Meio Ambiente considera adequado para operações básicas de proteção. E um quinto do que se gasta em média na América Latina e na África com áreas de preservação.

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Dos recursos para manutenção das áreas, a média foi de US$ 0,50 (cerca de R$ 1,6) por ano por hectare protegido. Em comparação, um estudo no Amapá, na Amazônia, revelou um orçamento de US$ 3 a US$ 10 por hectare por ano. 

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O levantamento foi publicado pela revista Biotropica, da Associação para Biologia e Conservação Tropical.

Tradicionalmente é vista como biologicamente pobre pela escassez de água. Mas estudos recentes mudaram essa visão. A Caatinga hospeda 4.846 espécies de árvores, 240 de peixes, 160 de répteis, 515 de aves e 148 de mamíferos. É considerada hoje como um dos hotspots de biodiversidade do país. Uma das florestas áridas mais ricas em diversidade do mundo.

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Mas as Unidades de Conservação cobrem apenas 7,5% do bioma. Apenas 1,2% da área total está em alguma unidade de proteção integral. Estima-se que 46% da Caatinga já foi desmatada.

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