“Pô, Guido. Faço o troço para ajudar e agora vou ser processado?”, afirma Joesley em delação

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Durante sua delação, Joesley Batista conta ter se queixado com o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, logo após descobrir que seria processado por fraude contra o Sistema Financeiro Nacional. Os acontecimentos, segundo Joesley, transcorreram entre o fim de 2011 e início de 2012. No início de 2016, a relação entre o Banco Original (instituição financeira da J&F, a holding da família Batista) e o Banco Rural foi investigada pelo Ministério Público.

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De acordo com Joesley, o Banco Rural – que estava prestes a falir – era assunto constante nas conversas entre ele e Mantega. Em 2011, a holding que controlava o Rural fez um pedido de empréstimo ao Original. Joesley tinha poder de vetar o empréstimo. Decidiu, no entanto, facilitar as coisas. “Nossas empresas também estavam procurando financiamento para o fim de ano”, disse, durante a delação. “Elas têm longa história de operar como Banco Rural”. Joesley conta que telefonou para o vice-presidente do Banco Rural, José Roberto Salgado, e deixou claro que o empréstimo junto ao Original sairia. Mas pediu que ele lembrasse do pedido de empréstimo que a J&F fizera à instituição comandada por Salgado. "Foi feito um empréstimo do nosso banco para o dele, e do dele para a nossa holding. Em que pese que eram taxas diferentes, garantias diferentes", afirma Joesley. Segundo ele, pesou na decisão a percepção de que era do interesse do PT apoiar o Banco Rural: “Eu só fiz isso por causa do contexto petista da situação”, diz Joesley. O Banco Rural, que faliu em 2013, ficaria famoso pelo envolvimento no escândalo do mensalão petista.

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O resultado: um grupo emprestou ao outro R$80 milhões. Uma prática ilegal conhecida como “troca de chumbo”. Quando descobriu, em 2016, que seria investigado pela fraude, Joesley telefonou para Mantega: “Fui até falar com o Guido” diz. “Falei: pô, Guido. Eu faço o troço para ajudar e agora vou entrar no rolo, vou ser processado?”.