Quando o oceano ficou sem oxigênio e a vida teve que dar um jeito

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O mundo antigo, bem antigo, já não era lá essas coisas lindas que filmes de monstros fazem crer. Nada de dinossauros cuspindo fogo, nem gorilas gigantescos e nem nada remotamente parecido com um Kaju. Ou seja, era algo chato, ainda mais no período Jurássico, que não tinha dinossaurões. Ainda assim tinha muita coisa para se preocupar. Era um mundo perigoso e, hoje, vemos que sempre estivemos frente a frente com vários perigos.

Talvez fosse o caso de se esconder no mar, mas pesquisas atuais mostram que mesmo seres aquáticos tiveram vários problemas. Pesquisas atuais mostram como o oceano do período jurássico enfrentou concentrações baixíssimas de oxigênio. E isso não é nada legal!

A drª Rowan Martindale é professora-assistente da do Departamento de Geociências da Universidade do Texas conduz um estudo sobre como eram as condições de um local chamado Ya Ha Tinda Ranch, o que parece algum título de desenho animado da Hanna-Barbera.

Este local fica perto do Parque Nacional de Banff, no sudoeste de Alberta, Canadá, e este sítio registra fósseis de organismos que viveram há cerca de 183 milhões de anos durante o Jurássico Antigo em um mar raso que cobriu a região há muito, muito tempo. Este período é chamado Toarciano, compreendido entre 182 milhões e 700 mil e 174 milhões e 100 mil anos AEC.

Este período foi caracterizado como tendo baixo teor oxigênio nas águas superficiais do oceano, cuja hipótese mais provável seria erupções vulcânicas maciças. O evento conhecido como Anóxia Oceânica, ou Desoxigenação Oceânica, não é tão desconhecido assim, pois é algo recorrente, ainda que em termos de escalas geológicas e, por isso, nós, ridículos mortais com reduzida escala de vida, não presenciamos.

No caso de Ya Ha Tinda Ranch, o registro geoquímico está preservado nas rochas. Em qualquer evento anóxico, o nível de oxigênio do ambiente circundante influencia o tipo e quantidade de carbono preservado nas rochas, tornando o registro geoquímico um método importante para rastreio deste fenômeno. A verdade já estava nas rochas antes das uvas surgirem, quanto mais o vinho!

Os fósseis mostram que, antes do evento anóxico, a biodiversidade marinha de Ya Ha Tinda era diversa e incluía peixes, ictiossauros, lagostas, mariscos e ostras e coleoides (uma sub-classe de cefalópodos). Durante o evento anóxico, a comunidade entrou em colapso, e Darwin só de olho.

Muitos desses animais foram varridos da existência. Os menores e que precisavam de menores quantidades de oxigênio sobreviveram e geraram lindos descendentes fofinhos. Os moluscos que eram mais abundantes na comunidade antes do evento anóxico foram completamente aniquilados e substituídos por espécies diferentes, mais aptas a viver ali. Lamento, pessoal. Natureza nunca foi boazinha. Os moluscos que sobreviveram durante e após o evento eram muito menores do que os moluscos antes do evento, sugerindo que baixos níveis de oxigênio limitaram seu crescimento. A vida marinha registrada em Ya Ha Tinda antes e durante o evento anóxico é semelhante aos fósseis encontrados em sítios paleontológicos europeus.

Ficou curioso? Não? Nem um pouquinho? Bem, você sempre pode ir ver gente cacarejando empapado de Nutella. Se você se interessou, a pesquisa foi publicada no periódico Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology e está digrátis!