QUANDO TUDO PARECIA IR BEM

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COLUNA DO CONSULTOR DE EMPRESAS JORGE CARLOS BAHIA

Com a indústria automobilística apresentando dados que indicavam seu crescimento e com o aumento de vendas e o crescente aumento na locação de espaços em armazéns em geral, ambos dados que representam um incremento das atividades industriais e comerciais, tínhamos projeções de investimentos na ordem de R$ 117 bilhões de reais.

Um número mais sólido e estável que o apresentado no ano anterior, mesmo se considerarmos todas as ocorrências do período o que aumentava a possibilidade de redução da taxa SELIC – o que, inclusive, vinha sendo discutido nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Infelizmente, esse fortalecimento da economia foi colocado em dúvida e em xeque com as diversas questões políticas atuais e as incertezas econômicas originadas por elas.

O mais lamentável é que não é a primeira vez que isso acontece nos últimos tempos. As denúncias e investigações em si são positivas, uma vez que identificam e combatem corruptos e atos políticos, mas também apontam um fato recorrente: há sempre um político envolvido. Desta vez, um político de peso e importância nacional, o que aumenta ainda mais o cenário de incerteza econômica.

Fundamental distinguirmos crise política originada das ações voltadas à necessidade do país e a crise oriunda das necessidades pontuais de um governo. Reformas são necessárias há anos e estamos chegando a um ponto crítico quanto a elas. Os déficits no orçamento do Governo Federal estão aí para provar as necessidades de mudanças urgentes. Não menos necessária é a modernização das relações de trabalho que nos coloque próximos ao que vem sendo feito em outros países na mesma condição de industrialização que a nossa atual, tais mudanças precisam ser estudadas e efetivadas com urgência.

Em uma estrutura democrática tradicional, o ambiente político é o alicerce para o bom desenvolvimento da economia, é indicativo de segurança e solidez para a realização de planos e orçamentos. Porém, quando temos uma enxurrada de delações, acusações, e indicações de compra de vantagens junto, inclusive, a políticos, e até junto a outros membros de outros poderes da República, fica realmente difícil manter uma economia sustentável, que proporcione suporte para investimentos rentáveis e seguros e que se mantenha atrativa aos empreendedores.

Já há indícios de que os investimentos programados para 2017, mais especificamente para o segundo semestre, serão adiados para 2018. Orçamentos confeccionados em 2016 – que previam aplicação de recursos em atividades manufatureiras, ou de serviços ou comerciais, na expectativa de uma melhora paulatina da economia – estão sendo revistos.

Está previsto para ocorrer em 2018 eleições presidenciais, o que causa certa apreensão quanto às perspectivas econômicas do país. Além do risco, cada vez mais provável, de eventos “semi catastróficos” como novas delações, gravações, malas de recursos etc.

Assim, o que é necessário, hoje, é rapidez na solução da crise política. Também é fundamental que o andamento das reformas em curso no Congresso não seja interrompido por momentos turbulentos e que as reformas sejam vistas como parte da política do país e não de governos isolados.

O país tem potencial tão promissor que, mesmo com tudo o que estamos vivenciando em termos de delações e investigações, não houve a interrupção de interesse  dos investidores, apenas, algumas postergações para a realização dos investimentos. Agora, é preciso que a classe política foque em ajudar a nação e não em atrapalhar o caminho que estava com bom direcionamento para ser trilhado.

Jorge Carlos Bahia é bacharel em administração de empresas, contador, consultor de empresas, palestrante, professor em cursos profissionalizantes, sócio proprietário do Grupo Bahia Associados, com experiência profissional de mais de 20 anos em empresas multinacionais atuando na área fiscal, tributária, contábil e controladoria.