Tirinhas são mais persuasivas do que fotos, diz estudo

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Você já se pegou refletindo sobre alguma questão geopolítica depois de uma fala irônica da Mafalda? Ou entendeu melhor um problema social por conta de um cartum da Laerte? Saiba que isso tem uma razão para acontecer. Em comparação a imagens convencionais, que só contam com o recurso visual, os cartuns têm poder maior de convencer você de alguma coisa – ou mesmo mudar sua opinião sobre determinado assunto.

É o que pesquisadores da Universidade de Illinois relataram em um estudo publicado no periódico Journal of Visual Literacy. Eles testaram as respostas de um grupo de estudantes de ensino médio americanos a esses dois tipos de recurso visual, em um tópico comum às aulas de química e geografia: produção de energia renovável.

Os participantes, todos alunos de ensino médio, tiveram de ler duas versões de um mesmo folheto, idênticos no tamanho, formato, cores e texto escrito – como você pode ver neste link. Seu conteúdo trazia informações sobre as vantagens da energia eólica, apontada como mais eficiente e menos poluente do que outras formas não renováveis.

A única diferença entre os dois materiais estava no aspecto gráfico: enquanto um deles era ilustrado por uma foto aérea de turbinas em funcionamento, o outro trazia um cartum, que abordava a mesma temática. Nele, manifestantes contrários a essa forma de produzir energia tinham suas faixas e cartazes quase arrancados por uma brisa forte – indicando a potência das turbinas eólicas e a inconsistência dessa ideia, que poderia ser facilmente “levada pelo vento”.

As fotografias até foram levadas mais a sério pelos voluntários, sendo apontadas como tendo maior credibilidade. Mas quem pegou os cartuns se convenceu mais sobre a real eficácia dessa forma verde de produzir energia. Os folhetos que continham cartuns foram avaliados como mais interessantes e informativos do que aqueles que eram ilustrados por imagens. “Os cartuns fazem um tópico como a energia eólica, que pode assustar um pouco a princípio, mais acessível às pessoas”, explica Lulu Rodriguez, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo.

Essa eficiência está ligada ao envolvimento que criamos ao ler esse tipo de mídia. Nesse caso, não dá para somente bater o olho, ou fazer uma leitura dinâmica, por exemplo. É preciso um tempo maior para entender por completo a mensagem que os cartuns querem trazer. A combinação do escrito com o visual vem sempre acompanhada de ironia, humor e crítica social – ou tudo isso ao mesmo tempo. Isso tornava a fotografia da paisagem tomada de pás eólicas um tanto menos atrativa.

Se são mais fáceis de serem entendidos, mais engraçados, e mais agradáveis aos olhos, por que não usá-las como forma definitiva para explicar a ciência? Seria a salvação dos professores – e da divulgação científica. A explicação está no trabalho envolvido em cada caso. Com uma busca rápida na internet, dá para achar uma imagem livre de direitos autorais que dê conta de acompanhar bem um texto sobre qualquer tema. Agora, uma charge com uma tirada engraçadinha sobre o mesmo assunto têm de ser criada sob medida.

“Fazer com que as coisas sejam mais fáceis de se entender é uma coisa difícil de se fazer”, completa Rodriguez. Que o digam os textos de divulgação científica. Aliás, ficou claro, ou seria melhor ter desenhado?

Tirinhas são mais persuasivas do que fotos, diz estudo