Venezuelanos vão às urnas para plebiscito contra o presidente

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Já cedo neste domingo 16, venezuelanos se organizavam em filas para votar no plebiscito simbólico contra o presidente Nicolás Maduro e contra seu projeto de Assembleia Constituinte.

Os centros de votação na Venezuela abriram as portas às 7h locais (8h de Brasília). Pelas redes sociais, a oposição chamava para a votação com a hashtag #HoyElPuebloDecide.

“O país não apenas rejeitará a Constituinte, como dará um mandato que é exigir a mudança de regime, a saída da ditadura e o início da transição com um governo de união nacional”, disse a dirigente María Corina Machado na véspera.

Dirigindo-se ao governo, o líder opositor Henrique Capriles afirmou que “ainda há tempo” para que “cancelem uma Constituinte que ninguém quer”.

Os opositores acreditam que a consulta, que não tem caráter vinculante, “mostrará ao mundo” que a maioria se opõe à iniciativa de Maduro para reformar a Constituição.

Em entrevista no sábado, o deputado Juan Andrés Mejía confirmou que as atas de votação serão destruídas para resguardar a identidade dos participantes e evitar represálias do governo.

Segundo o instituto de pesquisa Datanálisis, 70% dos venezuelanos rejeitam a Constituinte.

“Espera-se 62% de participação para o domingo. Podemos chegar a 11 milhões de pessoas”, afirmou Capriles, citando números do Datanálisis.

Maduro considera o plebiscito ilegal, defendendo que apenas o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) pode realizar processos desse tipo.

Em paralelo, o CNE fará também neste domingo, 16, um simulado da votação da Constituinte. Seus 545 membros serão eleitos em 30 de julho. A oposição considera a consulta uma “provocação”.

Baixando o tom em relação aos últimos dias, Maduro pediu que os dois eventos sejam pacíficos “com respeito às ideias do outro, sem qualquer incidente”.

“Paz é o que eu peço”, insistiu, durante um ato transmitido em emissora de rádio e televisão no sábado.

Considerou, porém, que a chegada de “mais de 500 veículos [internacionais] à Venezuela” para cobrir o plebiscito faz parte de um “show midiático” para justificar uma intervenção estrangeira contra ele e derrubá-lo.

“Vamos à Constituinte para salvar a pátria”, afirmou Maduro, cuja gestão é rejeitada por sete em cada dez venezuelanos em meio à devastação econômica.

O plebiscito será realizado em meio a uma onda de protestos em repúdio ao governo que já completou três meses e meio. O saldo dessa escalada de violência é 95 mortos.

As manifestações exigem a saída de Maduro do poder e renegam a Constituinte, “única via” — segundo o presidente — para restabelecer a paz e reativar a economia do país.

Maduro se diz vítima de uma tentativa de golpe de Estado apoiado por Washington e de uma guerra econômica que leva à escassez de bens básicos e a uma voraz inflação.

Cinco ex-presidentes da região chegaram no sábado para participar, junto com especialistas eleitorais de vários países, como observadores do processo organizado pela oposição. São eles: o colombiano Andrés Pastrana, o boliviano Jorge Quiroga, o mexicano Vicente Fox e os costa-riquenhos Miguel Ángel Rodríguez e Laura Chinchilla.

Os principais dirigentes da oposição afirmam que, após o plebiscito, vai-se ativar a “hora zero”, ou seja, a fase decisiva dos protestos para tirar Maduro do poder. Não descartam convocar uma greve geral.

(Com as agências AFP e EFE)


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