O Grammy Awards é considerado o maior prêmio de música mundial. Conhecido como o “Oscar da música”, a premiação prestigia artistas de quase todas os gêneros possíveis, indo do pop ao gospel. A edição de 2019 acontece neste domingo (10) e mais uma vez saberemos os vencedores de suas 84 categorias. Isso mesmo, oitenta e quatro categorias. Lógico, na premiação televisionada (com duração de 3 horas e meia) nem todos os vencedores serão mostrados. Pudera: alguns são tão inusitados que precisariam de uma explicação prévia caso fossem apresentados ao grande público.

Mas é pra isso que a SUPER existe, afinal. Então confira algumas das pérolas do Grammy:

Best Recording Package (Melhor pacote de gravação)

Quem gosta de música e está em dia com os sucesso do momento já deve ter ouvido falar da categoria. Isso porque ela está em alta este ano. O álbum Love Yourself: Tear, do grupo de k-pop BTS, é um dos indicado na categoria – o que fez os ARMYS (nome para os fãs do grupo) espalharem a notícia por todos os confins da internet. Aliás, escolha justíssima. Até porque a categoria não premia músicas, mas sim toda a parte visual do álbum.

O “melhor pacote” é pacote literalmente: o prêmio inclui o design da capa, as artes gráficas internas e as fotografias feitas para o disco – tanto que o prêmio é entregue para o diretor de arte do disco. Álbuns icônicos já ganharam a categoria, como o Sings for Only the Lonely, do Frank Sinatra, e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.

A indicação que colocou essa categoria nos holofotes é mais que coerente. O Love Yourself: Tear possui 4 capas diferentes com conceitos únicos para cada versão, incluindo fotografias e as artes gráficas. Isso porque os sul-coreanos enxergam o K-pop não só como música, mas como toda uma experiência, por isso o conceito é algo crucial. Não só o BTS, mas todos os artistas do gênero capricham pesado no visual dos discos – e mereciam uma indicação aqui.

Best Spoken Word Album (Melhor álbum falado)

Sabia que figuras como Martin Luther King, Barack Obama e Al Gore já ganharam um Grammy? Pois é, todos na categoria de “melhor álbum falado”. O nome soa estranho em português (afinal, a não ser que o disco seja de música instrumental, todos os álbuns são “falados”), mas ele premia discursos de impacto. Passando por várias modificações ao longo dos anos, hoje ela inclui também audiobooks, leituras de poesia e até narração de histórias. 

Essa é a categoria mais “política” do prêmio: cinco presidentes dos EUA já venceram (Jimmy Carter, Bill Clinton, Obama e gravações de John F. Kennedy e Franklin D. Roosevelt), quatro senadores e até uma primeira dama – Hillary Clinton, na época que o marido governava o país. Em 2018, Carrie Fisher ganhou o prêmio pelo audiobook de sua biografia.

Confira o discurso “Porque eu me opus a guerra do Vietnam”, no áudio original, que concedeu ao Dr. King um grammy póstumo em 1971: 

Best Comedy Album (Melhor álbum de comedia)

Categoria tipicamente americana. Acredite se quiser, mas o Grammy também premia comediantes. Segundo a academia, eles querem “honrar as realizações artísticas da comédia”. Na verdade, a categoria é voltada para shows de stand-up, apesar de também incluir obras de comédia musical. Queridinhos da área como Louis C.K, Stephen Colbert e Jimmy Fallon já foram vencedores. 

Mas esta categoria, atualmente, está envolta em polêmicas: o comediante Bill Cosby, que detém o recorde de mais vitórias consecutivas (seis ganhos entre 1965 e 1970) cumpre pena na prisão desde de setembro de 2018, devido a uma condenação por abuso sexual. Outro ponto é que as indicações deste ano incluem apenas homens, o que causou uma reação nas comediantes mulheres: na história do prêmio, apenas três mulheres venceram a honraria  – Lily Tomlin, por “This Is a Recording”, em 1972; Whoopi Goldberg, pela gravação de seu show na Broadway, em 1986; e Kathy Griffin, por “Calm Down Gurrl,”, em 2014.

Confira o trailer da apresentação desta última:

Best Immersive Audio Album (Melhor Álbum de Áudio Imersivo)

Não, não estamos falando de ASMR. Apesar do nome, essa é uma categoria que não tem nada a ver com o quanto você se envolve na música, e sim com questões puramente técnicas: as músicas, obrigatoriamente, precisam fornecer uma nova combinação de quatro ou mais canais. Oi?

A base da categoria é a técnica de “som surround“, um padrão de áudio que procura garantir ao usuário maior nível de “imersão” e uma experiência mais factível com a realidade – ou seja, com a forma que ele ouviria a música ao vivo, não fornecendo apenas uma origem do som, mas várias. Isso envolve o que os produtores chamam de “som quadrifônico”, ou estéreo 4.0: a gravação usa quatro canais de áudio, onde os alto-falantes são posicionados em quatro cantos do ambiente, reproduzindo sons inteiramente (ou parcialmente) independentes em cada caixa de som para gravar o áudio.

Antes, a categoria se chamava exatamente “melhor álbum de som surround”, mas o nome mudou: “impulsionada pelo lado tecnológico da evolução musical, a categoria Melhor Álbum de Som Surround [foi] renomeada como Melhor Álbum de Áudio Imersivo. O mesmo vale para o Campo ao qual pertence. A mudança reflete tecnologia em evolução, formatos e tendências atuais do setor, práticas e linguagem”, nas palavras da própria academia.

Quem leva a honraria é o engenheiro de mixagem surround, produtor surround ou o engenheiro de masterização surround. Álbuns como Beyonce, da cantora homônima, já levaram o prêmio. 

Best World Music Album (Melhor álbum musical global)

Aqui temos a categoria mais vencida por brasileiros. O prêmio de “melhor álbum musical global” premia os bons álbuns, mas que não tiveram reconhecimento mundial devido – uma vez que dificilmente entram em estatísticas de vendas e rankings importantes como a Billboard, que só leva em consideração o mercado americano. Ou, nas palavras da Academia, “honra da realização artística, proficiência técnica e excelência global na indústria da música, sem levar em conta as vendas de canções ou posições nos rankings musicais.” 

Ainda segundo a academia, world music engloba “toda expressão musical de origem não europeia” (?). E foi nessa categoria que Sérgio Mendes, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso e João Gilberto se consagraram.

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