O humorista saudita Fahad al-Butairi e sua mulher, a ativista Loujain al-Hathloul, foram presos pelas autoridades de Riad no ano passado, em situações diferentes. Loujain foi detida em março de 2018 ao dirigir em uma rodovia dos Emirados Árabes Unidos, onde vivia, e extraditada para seu país natal. Na mesma época, Butairi foi capturado na Jordânia e colocado em um voo para a Arábia Saudita, onde ficou sob custódia policial por alguns dias até ser liberado, segundo amigos do casal. Não foi registrado qual o motivo da prisão.

A denúncia sobre a prisão do casal foi feita pelo Twitter pelo americano Kirk Rudell, ganhou projeção nas redes e movimentou grupos de direitos humanos. Hathloul é conhecida ativista que ganhou projeção ao defender que mulheres dirigissem na Arábia Saudita, medida aprovada recentemente no país.  

Hathloul, de 29 anos, continua detida. Ela já havia sido presa por 73 dias em 2014, também por dirigir, e faz parte de um grupo de 11 ativistas de direitos das mulheres que estão encarceradas na Arábia Saudita. Segundo entidades como o Observatório dos Direitos Humanos (HRW) e a Anistia Internacional, elas estão sendo submetidas a tortura e agressões sexuais.

Desde que foi solto, o paradeiro de Butairi, de 33 anos, é desconhecido. Ele encerrou suas contas em redes sociais, onde tinha milhões de seguidores, e se divorciou da esposa, sem mais explicações. Grupos de defesa dos direitos humanos dizem não saber as circunstâncias das decisões e, segundo as famílias do casal, nem mesmo Hathloul sabe a motivação do ex-marido para separar-se dela.

Em 2018, ao reportar a prisão de um grupo de ativistas, a Agência Estatal de Imprensa Saudita declarou que as mulheres eram acusadas de “contato suspeito com entidades estrangeiras para viabilizar suas atividades, recrutar pessoas em cargos centrais no governo e oferecer apoio financeiro a opositores fora do país.”

Segundo o HRW, um antigo colaborador do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, Saud al-Qahtani, esteve presente em pelo menos um dos interrogatórios das ativistas e ameaçou matar, estuprar e jogar uma das detentas no sistema de esgoto.

Qahtani é acusado de envolvimento no assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi no consulado do país na Turquia, em 2 de outubro do ano passado. Ele era um dos aliados mais próximos e poderosos de do príncipe Salman. Depois de semanas, o governo turco admitiu que o crime tinha ligação com autoridades do país, e atribuiu culpa a vários funcionários de alto escalão, incluindo Qahtani.

Ele foi retirado do posto de Chefe de Comunicações do Reino, mas ainda mantém de outras posições de autoridade. Procurado pela imprensa americana, o governo saudita não quis comentar as alegações de tortura ou o papel de Qahtani nos interrogatórios. Também se negou a dar mais informações sobre a prisão de Hathloul e Butairi.

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