Passou-se o Natal, Reveillon agora só no ano que vem e agora fica a pergunta: o que vão fazer com as árvores de natal feitas com pinheiro natural? Claro, aqui no Brasil é meio esquisita esta pergunta, pois todas as árvores são artificiais, de pRástico ou a minha favorita: fibra ótica (menos trabalho para colocar pisca-pisca). Com a proibição de canudinhos e a futura proibição de copos plásticos, não sei como ainda permitem árvores de natal (se bem que sachê de catchup tem mais plástico que canudinho e ninguém fala nada). Já, nos EUA e Inglaterra, o uso de pinheiro naturais é muito comum, mas o que fazer com as árvores depois disso? manda pro lixão? Queima com a lenha?

Bem, pesquisadores ingleses resolveram que poderiam dar um fim mais… doce para os pinheiros, transformando as suas agulhas em diversas substâncias.

Cynthia Kartey é formada em Química (com ela a oração e a paz). Atualmente, é doutoranda no Departamento de Engenharia Química e Biológica da Universidade de Sheffield, Inglaterra. Ela acha que a vida pode ser mais doce, mas também acha que pinheiros são uma bosta depois que não estamos mais em época festiva. Suas agulhas (as do pinheiro não da Cynthia) demoram um tempão para se desfazerem. Não somente isso, ao apodrecer (estou ainda falando das agulhas, não da Cynthia), elas emanam gases de efeito estufa, como qualquer corpo orgânico que é atacado por organismos decompositores (sim, a Cynthia também um dia irá exalar gases de efeito estufa quando não estiver mais caminhando sobre a terra).

Muito bem, para saber o que fazer com as agulhas de pinheiros é preciso saber do que elas são feitas, e elas são feitas de lignocelulose. Lignocelulose é um polímero complexo, cujos monômeros são celulose, hemicelulose e lignina. Esta rede polimérica intrincada dão a resistência às agulhas e, por isso, elas são difíceis de se decomporem.

NÃO, PÁRA! Você viu que eu falei que ela é composta de celulose, também? Se tem celulose, e o celulose é um açúcar de cadeia longa, então, poderíamos converter este polímero em alguma substância capaz de conferir sabor doce certo? Calma que podemos ter coisas melhores até!

Já temos uma forma de ter energia em forma de estrutura química, está faltando outras substâncias necessárias e estas são os anéis benzênicos que você odiava na aula de química orgânica. Tendo celulose e fenóis, pronto, a indústria química agradece, pois é a chave para inúmeras sínteses.

De acordo com a pesquisa de Cynthia, as biorrefinarias seriam capazes de usar um processo relativamente simples, mas inexplorado, para quebrar as agulhas de pinheiro. Com o auxílio de calor e solventes como a glicerina (bastante fácil de se obter e, por isso, barata), a estrutura química das agulhas de pinheiro é quebrada em um produto líquido e um subproduto sólido.

Este “líquido” é chamado de “bio-óleo” e contém glicose, ácido acético e fenol. Todas essas sustâncias são amplamente usadas em indústrias de todo tipo, desde açúcar até essências e aromatizantes, passando por materiais de limpeza, corantes e reagentes laboratoriais.

O bom é que o subproduto sólido também pode ser utilizado em indústrias na obtenção de outros materiais. Ou seja, nos livramos das árvores velhas e ganhamos quase todo al reaproveitamento, só sendo regulados pela pérfida Segunda Lei da Termodinâmica, mas quando temos um reaproveitamento de mais de 90%, é um excelente negócio. Isso graças a um monte de árvore velha jogada fora que só depende de ser coletada e redirecionada para locais especializados. Se dependesse daqui do Brasil, iam pro lixão, mesmo, para não dar trabalho

Nada de paper por enquanto. Feliz Natal atrasado.

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