Enviada especial a São Paulo (SP) – Internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou, na tarde desta quinta-feira (7/2), sobre a revisão dos contratos de patrocínio da Petrobras.

As mudanças na política cultural e de publicidade prometidas pelo presidente no período eleitoral chegaram à estatal. A empresa avalia romper contratos firmados nos governos anteriores, principalmente com grandes grupos de teatro e cinema e com a imprensa profissional. Na nova gestão, o dinheiro deve ir para as redes sociais e artistas menos conhecidos.

Em publicação no Twitter, Bolsonaro reconheceu a importância da área cultural, mas criticou que o investimento no setor seja feito via petrolífera, já que o Estado tem “maiores prioridades”.

Apreensão na cultura
A notícia de revisão dos patrocínios da Petrobras foi mal recebida internamente por executivos da área de comunicação, que interpretaram a medida como interferência política e ideológica. Um deles chegou a entregar o cargo.

A principal reclamação é uma suposta falta de critério para definir os novos beneficiados. Até então, o foco eram projetos alinhados com a imagem que a empresa pretende transmitir aos seus consumidores – de inovação, alto potencial e capacidade técnica única. Com esse propósito, a petroleira patrocinou mais de 4 mil projetos culturais desde 2003, quando foi criado o Programa Petrobras Cultural, que passou a ser a maior seleção pública do tipo no país.

Juntas, as áreas de cultura e imprensa consumiram quase R$ 160 milhões da estatal no ano passado. Os gastos com publicidade foram de cerca de R$ 120 milhões e com patrocínios culturais, de R$ 38 milhões. A empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, respondeu apenas que “está revisando sua política de patrocínios e seu planejamento de publicidade”. “Os contratos atualmente em vigor estão com seus desembolsos em dia”, afirma a assessoria.

Na mira dos cortes estão contratos ainda vigentes, firmados com grupos culturais de grande visibilidade que recebem verba da estatal há anos. É o caso das companhias de teatro Galpão, de Minas Gerais, que possui contrato ativo de R$ 4,2 milhões até abril de 2020, e Poeira (R$ 1 milhão até fevereiro de 2019), do Rio de Janeiro; da Companhia de Dança Deborah Colker (R$ 4,9 milhões até junho de 2020), do Rio; além da Casa do Choro (R$ 950 mil até março de 2019), no Rio, e o Festival de Cinema do Rio (R$ 750 mil até março de 2019).

Ao todo, a Petrobras tem contratos de patrocínio ativos firmados em gestão e governos anteriores que somam R$ 3,5 bilhões, segundo dados divulgados em seu site. Alguns deles se estendem até 2021.
A migração da verba de cultura e publicidade para as redes sociais e artistas de menor visibilidade já estava decidida. Diante das divergências internas e alertas para os riscos jurídicos, porém, o tema voltou a ser discutido pelos advogados da empresa, que se sustentam no argumento de corte de custos para justificar as mudanças.

A decisão estava encaminhada a ponto de a área técnica começar a ligar para os responsáveis dos projetos com contratos vigentes para avisá-los da reavaliação dos patrocínios. Pelo menos um deles chegou a ser informado de uma possível suspensão do repasse da verba. Mas, preocupada com questionamentos na Justiça, a empresa resolveu reavaliar o tema. O martelo será batido no próximo dia 12, quando acontecerá nova reunião para decidir a dimensão das mudanças.

Saúde do presidente
Bolsonaro está em tratamento depois de ter sido submetido a uma cirurgia no intestino, no dia 28 de janeiro. Na ocasião, foi retirada a bolsa de colostomia usada desde o atentado à faca sofrido na campanha eleitoral, no dia 6 setembro de 2018. Durante a internação, ele conduz o Executivo federal de um gabinete improvisado na antessala do quarto onde se recupera.

De acordo com o boletim médico divulgado nesta tarde, ele teve febre na noite passada e foi submetido a uma tomografia, que constatou “imagens compatíveis com pneumonia“. Com isso, o presidente começou a receber também medicamento contra a doença pulmonar – o quadro intestinal tem boa evolução, segundo a equipe que atende o presidente da República no Hospital Israelita Albert Einsten, em São Paulo.

O presidente continua com sonda nasogástrica, dreno para a retirada de líquidos do abdome e antibióticos por via endovenosa. Ele ingere líquidos por via oral, em associação à nutrição parenteral.

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