O Brasil concordou em abrir um centro de armazenagem de ajuda humanitária para a Venezuela no estado de Roraima, informou nesta segunda-feira, 11, em Brasília, o coordenador de ajuda humanitária,  Lester Toledo. Ele foi designado para a tarefa pelo líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela e reconhecido por cerca de 40 países, entre os quais o Brasil.

“Podemos dizer oficialmente que será o segundo grande centro de armazenagem depois do de Cúcuta [na Colômbia] e que o Brasil se soma a esta coalizão”, afirmou Toledo, depois de ser recebido pelo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo.

Toledo informou que visitará nos próximos Roraima, “para ver onde fica o centro de armazenagem”. Sua expectativa é que, a partir da próxima semana,  comecem a chegar as primeiras toneladas de ajuda do Brasil e de outros países.

Em um comunicado, o Itamaraty se limitou a informar que, durante o encontro de Araújo com Toledo e Maria Teresa Belandria, designada “embaixadora” no Brasil por Guaidó, foram discutidas “possíveis medidas” para enviar a ajuda humanitária, sem mencionar o centro de abastecimento em Roraima.

Em Cúcuta, alimentos e medicamentos enviados pelos Estados Unidos permanecem desde quinta-feira, 7, em um centro de armazenagem perto da ponte fronteiriça Tienditas. A divisa está bloqueada pelo Exército venezuelano com dois contêineres e uma caminhão-pipa.

“Há dezenas de países do Grupo Lima e da Europa que já estão à espera de trazer as primeiras toneladas de ajuda, suprimentos médicos, alimentos”, afirmou Toledo.

Quando perguntado sobre como a ajuda humanitária poderia ser encaminhada do Brasil à Venezuela, Toledo disse que a equipe de Guaidó aposta no apoio dos militares e das “pessoas”, sejam quais forem as ordens de Maduro. “Os soldados [venezuelanos] esperam apenas uma ordem. Eles sabem que esta ajuda humanitária é alimento para as crianças, remédios para os doentes”, disse.

“Temos recebido muito bons sinais de dentro da Venezuela, da Igreja Católica, das organizações não-governamentais para a distribuição interna. Como vai entrar? Com as pessoas, com o acompanhamento do povo, que quer mudanças”, declarou.

Maria Teresa Belandria afirmou que o chanceler Araújo irá pessoalmente ao centro, uma vez instalado, “para mostrar não só o apoio, por meio do envio de toneladas [de ajuda], mas o apoio político”.

Brasil e Venezuela compartilham uma fronteira de cerca de 2.200 quilômetros. Nos últimos três anos, mais de 150.000 venezuelanos entraram no Brasil fugindo da hiperinflação, da escassez e da violência. Somente o estado de Roraima recebeu 75.500 pedidos de regularização desde 2015.

Em Caracas, Guaidó desafiou Maduro ao declarar que, segunda-feira, foi entregue a primeira carga da ajuda humanitária, apesar dos bloqueios.  “Cumprindo com as nossas competências, hoje entregamos a primeira carga de insumos da ajuda humanitária à Associação de Centros de Saúde, com 85 mil suplementos que se traduzem em 1.700.000 rações nutricionais para crianças e 4.500 suplementos para grávidas”, escreveu Guaidó na sua conta do Twitter.

Segundo acrescentou, esta primeira carga de ajudas “representa 20 rações para cada beneficiado e corresponde à primeira fase de atendimento às populações mais vulneráveis” da crise humanitária.

“A todos os países que estão sendo partícipes e cooperadores, a todos os que se estão somando ao voluntariado, avançamos com força! Juntos vamos conseguir a ajuda humanitária na Venezuela!”, acrescentou.

Guaidó disse, em comunicado para a imprensa, que foram feitos “grandes esforços” para o ingresso desse primeiro lote em Caracas. mas não deu detalhe sobre essa operação. “Esta é uma primeira etapa, sabemos que não é suficiente, por isso insistimos que a ajuda humanitária deva ingressar na Venezuela e abrir o corredor para poder atender entre 200 mil e 300 mil venezuelanos que hoje correm risco de morte”, destacou.

Cargas com ajuda humanitária chegaram à cidade colombiana de Cúcuta, na semana passada, mas o governo de Maduro bloqueou com caminhões uma das pontes por onde poderia passar. O próprio presidente declarou que essas doações são um “presente podre” que tem o “veneno da humilhação”. Para Guaidó, essa postura é “quase genocidas” e “assassinato por ação e omissão”.

(Com EFE)

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