Além da dor de saber que um parente poderia estar entre as vítimas do rompimento da Barragem I, da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), alguns familiares ainda tiveram que conviver com erros de informação e falsas esperanças. A saga de Rômulo Henrique de Oliveira (foto em destaque) e sua família durou duas semanas.

Rômulo até recebeu a notícia falsa de que se irmão caçula, Rodrigo, teria sido resgato. Só depois de buscas em hospitais e de notícias falsas, a família conseguiu incluir o nome da vítima na lista de desaparecidos. Na última sexta-feira (8/2), enfim, receberam a ligação informando que o corpo de Rodrigo Oliveira havia sido encontrado e identificado pela Polícia Civil.

Para Rômulo, a dor agora “está 60% menor”. “A angústia maior era não poder realizar um rito de passagem e seguir com a vida”, explica. Segundo ele, o momento mais difícil foi mesmo quando a informação faltou. “Ele era funcionário da empresa, mas mesmo assim ninguém parecia saber o que havia acontecido”, explica.

A saga
“Fomos para Belo Horizonte e rodamos todos os hospitais onde as vítimas poderiam estar. Acionamos amigos policiais, que nos ajudaram nessa busca, mas ninguém o encontrava. No dia seguinte, voltei ao centro de apoio e questionei isso, mas me informaram que a lista da Vale era correta, que, então, ele havia saído com vida. Depois disso, voltamos desesperadamente a procurá-lo”, lembra Rômulo.

Antes do corpo ser encontrado, a família recebeu até um vídeo de pessoas contando que viram Rodrigo Oliveira agarrado em uma árvore e sendo retirado do local. “Mais uma vez tivemos esperanças. Imagina como foi tudo isso para os meus pais”, lamenta o irmão.

“Conseguimos fazer o sepultamento e exigi que ele tivesse pelo menos três coroas de flores, que os helicópteros parassem de passar e que tivéssemos o nosso momento da melhor forma possível. Muitas pessoas passaram por lá, ele era muito querido aqui e por onde passava. Foi um alívio”, conta Rômulo.

Rodrigo era operador de máquinas, tinha 30 anos, um filho de nove e outros três de criação. Trabalhava na empresa há um ano. Ele estava de férias em janeiro e voltou a trabalhar cerca de uma semana antes do rompimento da barragem. Para a família, Rodrigo voltou ao trabalho apenas para morrer.

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