No início desta segunda, 14, mergulhadores da Indonésia encontraram a segunda caixa-preta do voo da Lion Air que caiu no mar da capital Jacarta em outubro de 2018, matando as 189 pessoas a bordo. 

O acidente foi o primeiro envolvendo um Boeing Co 737 MAX e o recordista em número de vítimas no último ano. O conteúdo da caixa CVR, que gravava as conversas na cabine de pilotos da aeronave, será verificada ainda hoje pelos investigadores e oferecerá informações sobre as últimas ações da viagem.

“Nós temos nosso próprio laboratório e time especializado para isso”, disse à Reuters Haryo Satmiko, chefe do Comitê de Segurança dos Transportes. Satmiko disse que, em outros tempos, seriam necessários pelo menos três meses para baixar, analisar e transcrever o conteúdo das gravações.

A torre de controle perdeu contato com o voo JT610 13 minutos depois que ele saiu do aeroporto de Jacarta, no dia 29 de outubro, com destino a cidade de Pangkal Pinang.

O relatório preliminar do comitê de segurança de transporte questionou a manutenção da aeronave e treinamento dos comandantes, assim como respostas errôneas do sistema contra a desestabilização do Boeing e um sensor que havia sido recentemente trocado, mas não determinou a causa da queda.

Um grupo de familiares das vítimas pediu que o comitê revele “tudo que foi gravado” e trabalhe de maneira independente. Um oficial da marinha da Indonésia, o tenente Agung Nugroho, disse à Reuters que um sinal fraco do gravador havia sido detectado alguns dias atrás e que ele foi encontrado profundamente enterrado em lama no fundo do mar, a pelo menos 30 metros de profundidade.

“Nós não sabemos quais danos podem existir, mas claramente ela está riscada”, declarou Nugroho sobre o estado da caixa-preta.

Fotos divulgadas por um funcionário da agência de segurança mostraram falhas na pintura laranja fluorescente da caixa, sem nenhum outro dano maior aparente.

Nughoro também disse que restos mortais foram encontrados próximos ao paradeiro da CVR, a cerca de 50 metros do lugar em que a caixa-preta de dados de voo foi encontrada, três dias depois do acidente.

Na última semana, um navio passou a fazer buscas pelo equipamento depois que uma operação de 10 dias, que custou 2,7 milhões de dólares a Lion Air, não conseguiu encontrar o gravador. Impasses burocráticos e orçamentários atrapalharam as buscas iniciais.

A tecnologia da CVR foi projetada para emitir sinais acústicos por 90 dias depois de atingir a água, de acordo com o fabricante da caixa, L3 Technologies Inc. Isso significa que a partir de 27 de janeiro investigadores enfrentariam um problema bem maior para encontrar o equipamento, enterrado em meio aos destroços no solo marítimo.

Desde o acidente, a companhia aérea Lion Air enfrentou críticas quanto a seus padrões de manutenção e capacitação de profissionais. Familiares dos mortos abriram pelo menos três processos contra a fabricante Boeing.

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