O “decretão“, como ficou conhecido a edição especial do Diário Oficial do Distrito Federal que exonerou milhares de comissionados do Governo do Distrito Federal (GDF), atingiu o meio cultural. Sérgio Moriconi, há seis anos à frente da programação do Cine Brasília, deixou o cargo após a publicação. A mudança na estrutura do equipamento público mobilizou cineastas e cinéfilos da capital.

Moriconi assumiu o posto ainda na gestão de Agnelo Queiroz (PT) e foi reconduzido por Rodrigo Rollemberg (PSB). Nome cultuado do cinema brasiliense, o historiador e professor é apontado como figura central na revitalização do Cine Brasília.

Igo Estrela/ Metrópoles

Vladimir Carvalho protestou pela saída de Moriconi

 

Cineasta mais importante da capital, Vladimir Carvalho qualifica a saída de Moriconi como um “absurdo”. “É a negação de uma gestão. Ele manteve nas alturas a programação e recuperou o cinema para toda a comunidade. Além de tudo, ele é historiador e pesquisador de estirpe, preparado para essa função. Eu desafio que tenha alguém na cidade alguém com esses atributos para realizar essa tarefa. É lamentável que se cometa essa injustiça”, protesta.

O Grupo de Amigos do Cinema (GAC), formado por cinéfilos, produtores e diretores, enviou um pedido ao secretário de Cultura de Ibaneis Rocha (MDB), Adão Cândido, pedindo a recondução de Moriconi ao cargo.

“Considerando que o grau de excelência – principalmente no que tange à sétima arte – seja mantido; e, no que se referem às políticas públicas, teríamos um ganho substancial para os programas culturais [com a permanência de Moriconi]”, diz o documento.

Veja o documento:
Reprodução

Nova gestão
Apesar dos apelos da comunidade audiovisual, Adão Candido afirma que as mudanças seguirão ocorrendo. “O cinema é público e o governo, novo. Os equipamentos não pertencem às pessoas, são do Estado. Não me preocupa as reações negativas, o projeto do Rollemberg foi derrotado nas urnas por 70% a 30%”, fala o secretário ao Metrópoles.

Ao ser questionado sobre um possível retorno de Moriconi ao cargo, o titular da pasta de Cultura explica que essa avaliação ainda será feita.

“Não é nada contra ele, mas uma política do governo. Vamos conversar e quem tiver o perfil adequado vai seguir trabalhando. Cada caso será analisado”, explica.

Remontagem
A reportagem tentou contato com Moriconi que preferiu não falar sobre a situação. A programação do Cine Brasília foi feita, com antecipação, até do dia 16 de janeiro.

Metrópoles

Sérgio Moriconi é admirado pela comunidade cultural do DF

 

Reinaugurado no segundo semestre de 2013, após reforma iniciada dois anos antes, o Cine Brasília ganhou programação diferenciada sob a gestão de Sérgio Moriconi, sobretudo com filmes premiados em festivais internacionais e grandes lançamentos do cinema de arte. Casa do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o espaço acolheu, em 2017, a histórica 50ª edição do evento.

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