O governo do Haiti manteve-se em silêncio nesta segunda-feira, 11, enquanto nas ruas de Porto Príncipe manifestantes exigiam renúncia do presidente Jovenel Moise. O líder é acusado de participar de um escândalo de malversação de dois bilhões de dólares do fundo do Petrocaribe.

O Petrocaribe foi o mecanismo por meio do qual a Venezuela forneceu petróleo ao Haiti e a outros países caribenhos e da América Central a preços reduzidos e em condições de crédito favoráveis durante anos. Em troca, essas nações apoiaram as posições de Caracas em organismos internacionais.

Os protestos paralisaram a capital haitiana e provocaram um aumento generalizado da violência. As ruas, normalmente colapsadas pelo tráfego, estavam vazias nesta segunda-feira depois do fechamento de escolas, lojas e escritórios municipais por temor de atos de violência.

As barricadas ainda estão montadas em algumas áreas da capital e outras cidades do país, preparadas para o momento em que os manifestantes retomem as ruas para pedir a renúncia do presidente. Centenas de jovens dos bairros mais pobres da capital marcharam no final da tarde até Petionville, a zona mais rica de Porto Príncipe, jogando pedras em casas.

A polícia lançou gás lacrimogêneo para deter a marcha. Também frustrou uma tentativa de ataque a um banco, durante a manifestação, arrastando vários suspeitos cobertos de sangue. Pelo menos cinco pessoas foram presas.

Desde que a oposição organizou manifestações generalizadas, na semana passada, quando completaram dois anos da presidência de Moise, surgiram protestos espontâneos em centros urbanos. Mas, em algumas localidades, atos de violência isolados foram registrados, gerando um clima de medo e intimidação em paralelo com os protestos opositores.

(Com AFP)

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