Adaptação do best-seller francês de Martin Page, o filme Talvez Uma História de Amor – com estreia nesta quinta-feira (14/6) – expõe a solidão do obsessivo-compulsivo e coloca o amor como poderoso psicotrópico para curar os transtornos mentais. Apesar do roteiro original no âmbito das comédias românticas, o longa se vale de situações clichês na tentativa de explicar o óbvio.

A história se passa na cidade de São Paulo e acompanha a rotina do publicitário Virgílio, personagem vivido por Mateus Solano. Nos primeiros minutos de exibição, o diretor Rodrigo Bernardo apresenta os traços de personalidade do protagonista. Solteiro, o paulista já acorda com todas as tarefas do dia meticulosamente preparadas. Nunca se atrasa, não suporta bagunça e sabe de cor e salteado a quantidade de bloquinhos de papel em sua mesa de trabalho.

O apego à segurança do universo conhecido e sem surpresas, no entanto, é um entrave na vida pessoal e profissional de Virgílio. A primeira prova disso é a aversão do publicitário aos avanços tecnológicos. Em casa, todos os aparelhos datam de, pelo menos, 20 anos atrás. No auge da carreira criativa, ele é capaz de recusar uma promoção no emprego, apenas para não ter de refazer as declarações de imposto de renda – de acordo com ele, prontas até 2025. Mesmo assim, ele demonstra uma aparente felicidade.

Tudo vai bem até que uma misteriosa mensagem deixada na secretária-eletrônica paralisa Virgílio. É uma mulher chamada Clara, dizendo amá-lo, mas mesmo assim pondo fim à relação. O único problema é: o publicitário apagou da mente qualquer memória do possível amor de sua vida. A partir daí, todo o desenrolar da narrativa dá-se em torno da busca dele pela identidade dessa mulher.


O elenco traz gratas surpresas entre as participações. Exemplo do comediante Marco Luque, que mostra outras possibilidades de interpretação, em uma versão totalmente diferente dos esquetes apresentados por ele, seja no teatro ou no palco do programa Altas Horas, do Serginho Groisman.

Enquanto isso, Bianca Comparato renova o fôlego da atração ao dar um pouco de caos à fotografia extremamente limpa de Hélcio Nagamine. A presença luxuosa da atriz de Sex and the City, Cynthia Nixon, nos minutos finais da produção, proporciona um momento de deleite para os fãs de Miranda.

Os problemas maiores são os dois protagonistas. Apesar de esforçado, Mateus Solano carrega consigo um ar caricato, uma marca responsável por fazer a plateia se lembrar de todos as figuras já vividas por ele na teledramaturgia. Mas nada supera a falta de emoção, de encaixe e química entre o casal. Ao vermos o trabalho insosso de Thaila Ayala, entendemos como Virgílio pôde esquecer o, talvez, grande amor de sua vida.

Avaliação: Regular