Diretora de Proteção Territorial da Fundação Nacional do Índio (Funai), Azelene Inácio foi “exonerada” na última terça-feira (8/1). Na tarde desta segunda (14/1), no entanto, a servidora estava na sala da direção da Funai trabalhando “normalmente”.

O Metrópoles entrou em contato com ela no telefone fixo que fica dentro de sua sala, na sede do órgão. Uma secretária atendeu a ligação e confirmou que a diretora está no local desde a manhã. Mas, ao atender a chamada, Azelene disse que não comentaria o assunto e desligou.

A demissão de Azelene Inácio foi confirmada pelo Ministério da Justiça e da Segurança Pública, depois de o blog da jornalista Andreia Sadi ter procurado a pasta para questionar sobre uma investigação do Ministério Público Federal a respeito da servidora. Mesmo assim, até agora, a exoneração não foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

O MPF aponta conflito de interesse por parte da diretora, que tem relações próximas com ruralistas e teria o apoio da bancada na Câmara e no Senado. À reportagem, servidores da Funai afirmam que Azelene não quer sair e se diz “vítima de perseguição”.

Internamente, ela busca apoio para presidir o órgão responsável pela assistência aos povos indígenas. No entanto, a demissão da servidora foi uma determinação do Ministro da Justiça, Sérgio Moro, acatada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), aguarda pela demissão oficial da atual diretora para colocar em seu lugar o general do Exército Franklimberg Ribeiro de Freitas, que já comandou a pasta. Em abril de 2018, o ex-presidente Michel Temer (MDB) acolheu um pedido apresentado pela bancada ruralista e decidiu exonerá-lo.

À época, cerca de 40 deputados e senadores teriam assinado o documento, apresentado a Temer pelo deputado ruralista Alceu Moreira (MDB-RS) pedindo a saída do general. O argumento: ele não estava colaborando com o setor.

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