Assessores da Casa Civil dispararam ligações, nesta sexta-feira (17/05/2019), a deputados do Centrão para sondá-los acerca de futuras votações de Medidas Provisórias que estão prestes a caducar no Congresso. Nos contatos, os auxiliares diziam estar fazendo uma “pesquisa”, segundo relataram os congressistas.

As chamadas irritaram e causaram indignação nos parlamentares, que dispararam críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) nos grupos de WhatsApp que reúnem os congressistas. Eles se queixaram de o governo ter feito contato direto com os deputados, passando por cima dos líderes, e o pior: não foi sequer o ministro ou algum secretário que fez o contato.

Entre as matérias questionadas pelos assessores estavam a Medida Provisória (MP 870), que trata da reforma ministerial, e a 868, que institui um novo marco legal de saneamento básico no país. Ao Metrópoles, parlamentares dos principais partidos do bloco confirmam ter recebido as chamadas. De acordo com eles, o funcionário da Casa Civil se identificava como “assessor” e perguntava como votariam nos textos.

Para o líder do PP, Arthur Lira (AL), a atitude da pasta comandada por Onyx Lorenzoni, foi “deselegante e desastrosa”. “Isso é negócio de gente que não tem condição de comandar articulação“, disse.

O deputado ressaltou ainda que não houve distinção de abordagem, ou seja, não só líderes como parlamentares foram alvo do mapeamento. “Todas as respostas devem ter sido ‘não sei’ ou ‘a decisão é da liderança’. Do que adianta?”, questionou.

Lira critica o modo como o governo tem buscado apoio do Centrão. “Eu nunca vi isso acontecer. O governo querer ‘balizar’ diretamente com deputados as posições partidárias. Mas não é respondendo pesquisa de assessor que vão descobrir isso”, pontuou.

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência na Câmara e 1º vice-lider do PR, Marcelo Ramos (AM), afirmou que um assessor, que se identificou como “Lucas”, fez a ligação e o questionou sobre as duas MPS. “Respondi prontamente que ligasse para o líder do meu partido, que eu votaria conforme a decisão dele”, rebateu.

Entretanto, Ramos enfatizou que, na sua opinião, o disparo de chamadas foi uma atitude “sem noção” do governo de Jair Bolsonaro (PSL), e quem determinou que fosse feito “fizeram sem saber das coisas”.

O Metrópoles tentou entrar em contato com Onyx e com a assessoria da Casa Civil. Contudo, até a publicação esta reportagem, não obteve retorno.

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