A terceira temporada de Desventuras em Série, produção original da Netflix, apostou em manter o alto teor emocional dos personagens, evitando mergulhar os protagonistas no manto de santos – caracterização que, de fato, não conduz com as personagens. Nessa sequência, a trama procurou (finalmente) adequar-se à proposta dos livros, ao contrário das outras produções – como o filme de 2004 estrelado por Jim Carrey – e as primeiras temporadas do serviço de streaming. Agora, os produtores e roteiristas conseguiram trazer à superfície a verdadeira reflexão da história: saber se portar nos momentos mais difíceis da vida e aceitar as consequências de seus atos.

A temporada final também esclareceu alguns pontos importantes. O que levou Conde Olaf a mudar de lado e se tornar mau? O que os pais dos Baudelaire faziam na organização C.S.C.? Como ocorreu a cisão do grupo? Como foi a concepção dessa agremiação? Todas essas perguntas são respondidas da forma cômica e, por vezes, trágica.

 

É bom lembrar que a série peca no excesso de drama, muitas vezes digno de uma das produções do próprio dramaturgo fracassado Olaf. Esse tom emocional é abandonado no momento errado: o plot twist da história não tem o impacto que deveria. Ou seja, para assistir Desventuras em Série é preciso estar focado e com paciência. Os erros são suficientes para estragar a adaptação? Não. Mas alguns fãs podem se sentir incomodados com isso.

Desventuras em Série também teve seus acertos e boas surpresas. A atuação dos irmãos Baudelaire – Louis Hynes (Klaus), Malina Wiesman (Violet) e Presley Smith (Sunny) – foi digna de seus personagens. Assim como Neil Patrick Harris, que conseguiu personificar o maquiavélico Conde Olaf e dar profundidade ao vilão.

Avaliação: regular

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