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Dólar cai com alta do petróleo, apesar de risco geopolítico

Dólar cai com alta do petróleo, apesar de risco geopolítico

O dólar à vista fechou em baixa de 0,40% nesta segunda-feira, 1º de junho, cotado a R$ 5,0227, após atingir a mínima de R$ 5,0122. A queda ocorreu apesar do aumento das tensões no Oriente Médio e da aversão global a risco, impulsionada pela alta do preço do petróleo. No ano, a moeda norte-americana acumula perdas de 8,50%.

O dia foi marcado por um aumento da percepção de risco geopolítico, depois que o Irã anunciou a suspensão de conversas com os Estados Unidos em protesto aos ataques de Israel a bases do grupo xiita Hezbollah no Líbano. Autoridades iranianas emitiram alerta para que moradores do norte de Israel e de assentamentos militares deixassem a região.

A escalada retórica de Teerã elevou os preços do petróleo, especialmente pela manhã. As cotações se afastaram das máximas à tarde, após declarações de Donald Trump. Em postagem na Truth Social, o presidente dos EUA disse que conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o Hezbollah. “Israel não os atacará e eles não atacarão Israel”, escreveu Trump. O contrato do Brent para agosto encerrou a US$ 94,98 o barril, alta de 4,24%, depois de tocar US$ 97.

O head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, afirmou que há dois vetores atuando na formação da taxa de câmbio em momentos de tensão geopolítica. “De um lado, há aumento da aversão ao risco e da volatilidade, o que é ruim para divisas emergentes. Mas, de outro, há uma alta do petróleo, o que é bom para a gente. Foi um pouco o que vimos hoje”, disse Viotto.

Pela manhã e no início da tarde, o real se desgarrou da tendência negativa para divisas emergentes devido à alta do petróleo, mas com fôlego curto. A combinação de menor aversão ao risco, após as declarações de Trump, com a manutenção da commodity em alta, levou o dólar às mínimas na segunda etapa do pregão.

A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, destacou que a notícia da suspensão das negociações entre Irã e EUA deixou investidores cautelosos, mas o real se valorizou porque o Brasil é exportador líquido de petróleo. Ela acrescentou que a piora das projeções de inflação no Boletim Focus aumenta a expectativa de juros elevados no Brasil, o que atrai capital externo e favorece a moeda.

Embora o real tenha sido uma das raras divisas emergentes a ganhar terreno, o grande destaque do dia foi o peso colombiano, que avançou mais de 2,5% frente ao dólar. O movimento foi impulsionado pelo resultado do primeiro turno das eleições presidenciais da Colômbia, com o desempenho surpreendente do candidato de direita Abelardo de la Espriella, que se tornou favorito para o segundo turno.

O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, operou em alta moderada, rondando os 99,200 pontos no fim da tarde, após máxima de 99,385 pontos. As taxas dos Treasuries subiram com preocupações inflacionárias provocadas pela alta do petróleo. A semana terá a divulgação de dados do mercado de trabalho nos EUA, com destaque para o payroll de maio na sexta-feira.

Para Viotto, a manutenção do petróleo acima de US$ 90 devido ao impasse no Oriente Médio estimula apostas de aumento dos juros nos EUA, o que pode abalar o apetite por divisas emergentes. O real ainda é protegido pela melhora dos termos de troca e pela taxa de juros local elevada. “A tendência é de um dólar mais perto de R$ 5,00, mas que pode buscar os R$ 5,20. Há mais chances de o dólar subir do que ceder”, afirmou.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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