O Sherlock Holmes original era viciado em cocaína. As versões modernas deram uma maneirada (ou mesmo omitiram isso). Na versão Sherlock da BBC, ele anda com trocentos patches de nicotina. Obviamente, ninguém chegaria a tanto, certo? Bem, nicotina é um dos alcaloides mais viciantes. Mais viciante que a cocaína, por sinal. Em todo mundo tem apertado o cerco a cigarros normais e os eletrônicos, principalmente os eletrônicos, que os dependentes químicos juram não ter nicotina e que podem parar quando quiserem. Muitos já pararam umas 5 vezes.

Um perfeito exemplo disso é a marca Twirly Pop, que vem com um pirulito (clichê não sai de moda nunca!). É bonitinho, engraçadinho e você inadvertidamente compraria para os seus filhos, mas trata-se de um e-Liquid, uma essência para cigarros eletrônicos. É exatamente esse aí da imagem à esquerda.

Outro exemplo é o Juice Box e o Vape Heads Sour Smurf Sauce, também usados em cigarros eletrônicos.Examinando as embalagens, fica difícil dizer logo de cara o que realmente são. Primeiro o One Mad Hit Juice Box. Vamos dar uma olhadinha na caixa.

Agora, vejamos uma caixa de suco de caixinha (não é lá muito saidável, mas comcerteza não vem com nicotina).

Agora, vamos checar a embalagem do Vape Heads Sour Smurf Sauce

Vejamos uma embalagem de balinhas (bala mesmo!).

Não, que isso! Não tem nadinha demais! Sério que alguém vai achar que essas embalagens de essências para e-cigs são para atrair público adulto? Tem que ser muito crédulo, ou avesso à realidade, mas garanto que os dependentes químicos usuários de cigarros eletrônicos não verão nada demais.

Um artigo da Universidade de Boston cita uma reportagem do USA Today que aponta que houve mais de 8.200 casos de crianças menores de seis anos que tinham sido expostas à nicotina líquida e e-cigarros entre janeiro de 2012 e abril do ano passado. Não houve nenhum caso fatal, mas havemos de convir que isso não é algo que você queira que uma criança ingira. A não ser que você seja fabricante de essência para e-cigs, obviamente.

O FDA (o equivalente à nossa ANVISA) bateu em cima bloqueando qualquer autorização para melhorias e “upgrades” nos cigarros eletrônicos, de forma que eles não possa se disfarçar de outra coisa. Só as caixas das essências, que não são essências apenas, já mostram o que os fabricantes têm em mente, e quando coloca-se em jogo o altíssimo poder viciante da nicotina, temos um prato cheio.

O articulista da Universidade de Boston, Rich Barlow, termina o artigo dizendo que ele não acredita que os cigarros eletrônicos sejam menos seguros do que cigarros convencionais. Eu até desculpo-o, já que ele é jornalista e não cientista e não deve ler muitos periódicos, como os que eu já listei aqui sobre a toxicidade dos cigarros eletrônicos. Não só isso, ainda este ano saiu pesquisa mostrando que cigarros eletrônicos entre adolescentes estão aumentando a taxa de uso de cigarros convencionais.

Então, se usam a desculpa de usar cigarros eletrônicos como forma de parar de fumar cigarros convencionais, fica demonstrado que não é bem assim. Não que algum de seus dependentes, digo, usuários chegará aqui admitindo isso. Claro que não.