Entre as mulheres que denunciam os abusos sexuais supostamente cometidos pelo médium João de Deus, a holandesa Zahira Lienike Mous foi a única que mostrou o rosto durante entrevista no programa Conversa com Bial, da Rede Globo, exibido na madrugada desse sábado (8/12). Segundo ela, o líder espiritual, em uma das ocasiões, a puxou para o banheiro da sala dele e a “penetrou por trás”.

Dias antes, Zahira disse que João de Deus fez com que ela pegasse em seu órgão genital. “Abriu a calça, colocou a minha mão no pênis dele e começou a movimentá-la. Estava em choque”, narrou. Enquanto isso, o homem demonstrava frieza, falando sobre a família da jovem e pedindo que ela sorrisse.

O relato de Zahira mostra que o médium tentou silenciar qualquer tipo de denúncia. “Depois (do ato), ele se limpou, me levou ao escritório, abriu um armário de pedras preciosas e mandou escolher a que eu mais gostasse”, relembrou a coreógrafa holandesa, que foi assistente do médium.

A holandesa disse que ouviu falar de João de Deus pela primeira vez em 2014. Precisando de ajuda espiritual e com traumas causados por um abuso sexual no passado, pesquisou tudo sobre o médium antes de visitar a Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), no Entorno do DF. Ela costumava visitar o Brasil desde os 17 anos – por causa de um tio que mora em Minas Gerais.

Ao chegar à cidade goiana, ela conta que foi acolhida e treinada pelo médium, chegando a atuar como sua assistente em cirurgias físicas. Após a sequência de abusos sexuais, Zahira diz que passou quatro anos negando para si o que tinha acontecido, até que decidiu falar para ajudar outras mulheres. “Não precisamos sentir vergonha. Ele precisa ter vergonha”, declarou no programa.

Ao todo, e equipe do jornalista Pedro Bial entrevistou 10 pessoas que acusam o médium famoso em todo o mundo. Destas, quatro foram exibidas no programa.

Outras mulheres também deram entrevista ao programa e relataram os abusos. Confira:

“Ouvi um grito de socorro e entrei. Ele pediu para eu fechar os olhos e sentar. Vi que ele estava com as calças abertas, ela ajoelhada e ele com uma toalha no ombro. Ela não queria fazer sexo oral nele, foi por isso que gritou. Sentei no sofá e fechei os olhos, porque estava doutrinada a achar que tudo era divino e especial. Ela gritou de novo, eu abri os olhos e ele parou”, Amy Biank, coach espiritual.

“Senti o membro dele nas minhas nádegas, ele comprimindo meu corpo. Comecei a chorar e pensava: ‘Como vou sair daqui?’”, disse uma das vítimas.

“Ele disse que sabia que eu estava lá pelo divórcio, que ia fazer uma limpeza energética em mim. Que eu precisava daquela energia que só viria daquela maneira. Quarenta e cinco dias depois, voltei sozinha e a entidade me pediu para ir vê-lo novamente. Fez tudo de novo”, contou a mesma mulher.

O outro lado
A assessoria de João de Deus nega todas acusações, em nota afirmou que “João de Deus atende milhares de pessoas em Abadiânia, praticando o bem por meio de tratamentos espirituais. Apesar de não ter sido informado dos detalhes da reportagem, ele rechaça veementemente qualquer prática imprópria em seus atendimentos”.

 

 

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