Um áudio circula entre os corredores da Câmara dos Deputados e, segundo informações do jornal O Globo, já chegou ao Planalto: no arquivo, o deputado federal Julian Lemos (PSL-PB) comenta que parlamentares – inclusive ele próprio – têm exigido e negociado cargos em troca de votos favoráveis à reforma da Previdência, principal projeto do primeiro ano do governo Bolsonaro.

Segundo o jornal, trata-se de um telefonema de 12 minutos em que o parlamentar conversa com o secretário-geral do PSL na Paraíba e assessor do Ministério do Turismo, Fabio Nobrega Lopes. Lessa afirma ter conseguido, junto à Casa Civil, a prerrogativa de indicar nomes para cargos na direção da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) da Paraíba e na sede regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

No áudio, Lemos relata a Lopes que outros parlamentares também estão buscando – ou vão buscar – acordos parecidos. Procurado pela reportagem do jornal, o deputado disse que pedirá à Polícia Federal que investigue a origem da gravação, que chamou de “grampo ilegal”. Segundo uma fonte do jornal, de fato a gravação aconteceu sem o consentimento ou o conhecimento dos interlocutores.

“O áudio é crime. É uma violação gravíssima, uma agressão, um fato grave. Isso aí vai rolar Polícia Federal. É extremamente absurdo isso. Não tem nada que desabone, única coisa que vejo criminosa é a gravação ilegal. Sou um deputado federal, imagine se os deputados agora têm seu sigilo telefônico quebrado”, comentou Lessa.

Na conversa gravada, Lemos menciona uma reunião na Casa Civil, durante a qual cargos da esfera estadual teriam sido acordados e seriam distribuídos depois do Carnaval. O assessor do Ministério do Turismo também afirmou que Onyx Lorenzoni (DEM-RS) teria participado dos encontros. O jornal procurou o ministro-chefe da Casa Civil, mas ele não comentou o diálogo.

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