A segunda entrevista concedida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) depois de preso em Curitiba, no âmbito da Lava Jato, foi ao ar nesta sexta-feira (10/05/2019), de forma editada, pela BBC World News, na internet. Mediado pelo jornalista Kennedy Alencar, o material foi exibido como documentário, com o título “Lula: behind bars (Lula: atrás das grades)”. Na entrevista, o petista ataca seus adversários, como o ex-juiz Sergio Moro – “Nasceu para se esconder atrás de uma toga” – e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) – “Um doente”. Lula reiterou ser inocente dos crimes pelos quais foi condenado. “Quando eu provar minha inocência, eu posso morrer tranquilo”, disse.

O documentário fez um apanhado da vida política do ex-presidente desde as manifestações de 2013 até os dias atuais. Lula reafirmou que o caso triplex o levou à prisão sem nenhuma prova.

“Se esse maldito apartamento é meu, ele tem que ter um documento, um contrato, um pagamento. Alguma coisa tem que ser mostrada”, reagiu. “Não é possível que alguém possa dizer que um apartamento é meu se eu não comprei, não paguei, não morei, não tem escritura. Alguém tem que mostrar uma prova”.

Para o jornalista, o petista disse que uma pessoa como ele, que virou presidente da República, ganhou status e carinho “a nível mundial” não sujaria a biografia por tão pouco. “Eu iria jogar fora um patrimônio construído? Se essa gente tivesse provas, já teria me desmascarado”, destacou.

Sobre seu algoz, o agora ministro da Justiça, Sergio Moro, que o condenou no caso triplex, Lula não poupa adjetivos. Negativos, obviamente. “O Brasil estava fora de controle. Não tinha mais autoridade. Porque um juiz de primeira instância fazer todo o desatino que o Moro fez…”, disse.

“O Moro fornecia à imprensa informações em primeira mão do jeito que entendia. A imprensa transformava a mentira do Moro em verdade e aí o cara já estava condenado”, afirmou.

Lula aproveitou a oportunidade para “desafiar” o ex-juiz para um debate. “Eu adoraria, quando sair daqui, participar de um debate com o Moro sobre os crimes que cometi”, ressaltou. “Por que você acha que eu resisti? A única coisa que me interessa é a minha inocência e eu vou brigar por ela até os últimos dias da minha vida”.

Não sabe lé com cré
Sobre o presidente Bolsonaro, o petista fez uma série de críticas. “Ele tem um início de mandato extremamente desastroso. A impressão que eu tenho é que ele não sabe lé com cré. Um doente”, atacou.

“Ele assinou um decreto que acabou com todos os conselhos sociais criados pela Constituição de 88. Defende um estado armado, policialesco. Na cabeça dele, acha que arma resolve o problema de todo mundo”, comentou. “Os problemas do país se resolve com livros, com escola”.

Lula mandou um recado para Bolsonaro: “Ao invés de ficar falando bobagens, ele deveria dizer: ‘Eu vou terminar esse mandato aqui melhor do que o Lula’”.

Estilos diferenciados
Os ataques do ex-presidente foram endereçados até mesmo à sua sucessora, a ex-presidente Dilma Rousseff. Para ele, uma pessoa “cheia de autoafirmação como a Dilma, na hora em que o carro começa a derrapar, nem sempre tem a tranquilidade de falar: ‘Vamos parar, vamos ouvir, vamos conversar’”.

“Temos estilos diferenciados. Eu às vezes lamento de não ter sido mais incisivo com a Dilma para fazer algumas coisas”, afirmou.

Lula se diz tranquilo e relembra que, se quisesse fugir, teria saído do país ou se refugiado em alguma embaixada. “Tomei a decisão e estou muito tranquilo aqui. Não tenho ódio. Tenho muita tranquilidade, porque eu sei o que está acontecendo neste país E vou brigar para que os setores progressistas da sociedade voltem a governá-lo”, assegurou.

A íntegra da entrevista, sem cortes, será disponibilizada na segunda-feira (13/05/2019) no blog do jornalista Kennedy Alencar.

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