Em uma sessão marcada por forte instabilidade, o Índice Bovespa operou descolado do otimismo das bolsas americanas e, após trocar de sinal diversas vezes ao longo do dia, encerrou esta quarta-feira, 13, os negócios em queda, abaixo da linha dos 96 mil pontos. À espera da versão final do projeto de reforma da Previdência, que pode sair da gaveta com a alta hospitalar do presidente Jair Bolsonaro, o mercado operou mais ligado a fatores técnicos em meio à disputa entre comprados e vendidos em dia de vencimento opções sobre Ibovespa.

A falta de uma direção firme do mercado acionário doméstico reflete o caminho distinto tomado pelas principais ações do índice. Do lado positivo, os papéis ON da Petrobras subiram 2,37% acompanhando a alta do Petróleo, e as da Vale seguiram sua trajetória de recuperação (alta de 2,69%), em meio à expectativa de que perdas financeiras menores com os desdobramentos do rompimento da barragem em Brumadinho e preços do minério ascendentes. Além disso, o mercado recebeu bem as declarações do secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar, sobre a possibilidade de “reprivatização” da Vale, com venda das participações dos fundos de pensão na companhia.

Na outra ponta oposta, as ações de bancos, em especial de Banco do Brasil e Itaú Unibanco, caíram em um movimento de realização de lucros, enquanto papéis do setor de consumo sofreram com os dados dos fracos do varejo. As ações da Lojas Renner, por exemplo, figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa, com perdas de 2,60%.

Em meio a forças opostas, o Ibovespa fechou em queda de 0,34%, aos 95.842,40 pontos, com uma piora na reta final dos negócios. O volume negociado atingiu R$ 33,3 bilhões, inflado do vencimento de opções do Índice.

Segundo o analista da Guide Investimentos Rafael Passos, não houve uma mudança no ambiente externo ou nas expectativas em relação à Previdência que pudessem justificar a volatilidade do Ibovespa. “O dia foi positivo para as bolsas lá fora. O movimento foi mais interno, com a realização dos bancos e os dados ruins das vendas no varejo”, afirma.

Para Passos, o destino do Ibovespa permanece atrelado, no curto prazo, às informações sobre o projeto de reforma da Previdência. Ele destaca que o índice ainda continua com um ‘valuation’ atraente, sobretudo quando se considera a perspectiva de juros baixos por um período prolongado. “O investimento em bolsa faz todo o sentido nesse ambiente. Os fundos locais se adiantaram e entraram já em janeiro. Agora falta uma definição para a Previdência”, diz.

A expectativa é que Bolsonaro, já em Brasília, analise as propostas elaboradas pela equipe econômica nos próximos dias. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta quarta que a proposta deve ser encaminhada ao Congresso provavelmente até o fim de fevereiro.

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