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Espetáculo O Entregador debate precarização do trabalho por aplicativo no Sesc

Atualizado em 26 de agosto de 20262 min de leitura
Espetáculo O Entregador debate precarização do trabalho por aplicativo no Sesc
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O espetáculo O Entregador faz suas últimas apresentações nesta quarta e quinta-feira (26 e 27), às 16h e às 20h, no Teatro Newton Rossi, no Sesc Ceilândia. A entrada é gratuita, com retirada de ingresso no local. A peça discute o trabalho mediado por aplicativos, a promessa de autonomia e as condições enfrentadas por quem depende das plataformas digitais para garantir renda.

Com dramaturgia de Rodolfo Godoi e direção de Godoi e Kamala Ramers, a montagem acompanha experiências de trabalhadores submetidos à lógica das plataformas digitais. A peça questiona os discursos de liberdade, autonomia e empreendedorismo que marcam as novas relações de trabalho. Em cena, Flávio Café e Lupe Leal conduzem a narrativa sobre as contradições da rotina de quem trabalha por aplicativos. A duração é de 60 minutos e a classificação indicativa é livre.

O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC/DF). As sessões das 16h têm como público prioritário estudantes do ensino regular da rede pública. Já as apresentações das 20h são voltadas a alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), turmas do ensino noturno, professores, trabalhadores e comunidade escolar.

As escolas participantes terão uma atividade de mediação antes do espetáculo. O objetivo é preparar os estudantes e abrir um espaço de diálogo sobre os temas da peça, relacionando o conteúdo às experiências dos alunos, de suas famílias e comunidades. As escolas públicas interessadas devem fazer agendamento prévio por formulário, informando instituição, quantidade de estudantes e turno. A participação depende da disponibilidade de vagas.

Rodolfo Godoi, professor da rede pública do DF, sociólogo e dramaturgo, afirma que a peça trata de uma realidade próxima dos estudantes e trabalhadores. “O Entregador discute o trabalho por aplicativo, a precarização e a promessa de liberdade vendida pelo empreendedorismo. Levar esse debate para as escolas é uma forma de transformar o teatro em espaço de reflexão social”, diz.

O espetáculo dá continuidade à pesquisa de Godoi sobre trabalho, sociedade e capitalismo contemporâneo. O trabalho anterior, Übercapitalismo, circulou por escolas, teatros e festivais no Brasil e no exterior. Com O Entregador, a investigação foca no trabalho intermediado por plataformas digitais, realidade cada vez mais comum. A temporada no Sesc Ceilândia busca ampliar o debate e reforçar a democratização do acesso à cultura e a formação de público.

A iniciativa quer aproximar estudantes e trabalhadores do teatro e estimular a reflexão sobre mudanças no cotidiano, em um cenário em que os aplicativos ganham espaço nas relações profissionais e na geração de renda.

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