O estilo militar marcou a primeira viagem de Jair Bolsonaro a Brasília após ser eleito presidente da República. Encontros formais e pontuais com comandantes da Forças Armadas, reuniões com o presidente Michel Temer e chefes do Judiciário fizeram parte das atividades do futuro chefe do Executivo federal entre os dias 6 e 8 de novembro. Policiais federais, militares e bombeiros reforçaram a segurança do presidente eleito, e um senhor de aspecto franzino se destacou em meio ao batalhão que forma a “tropa de choque” de Bolsonaro: o general da reserva do Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira.

Aos 71 anos, ele é um dos aliados mais próximos do futuro presidente. Por onde Bolsonaro passou nesta semana, Heleno esteve junto. Foi assim na sessão solene pelos 30 anos da Constituição Federal, nos encontros com os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, nas visitas aos comandantes da Aeronáutica e Marinha, e também na festa de aniversário do comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas. A recepção na chegada do presidente a Brasília também foi feita pelo aliado de confiança. Em praticamente todas as agendas, o general da reserva acompanhou o presidente no mesmo carro.

Disposto e de bom humor, Heleno destoa do estilo de boa parte do restante da equipe, normalmente econômicos nas palavras e mais distantes dos jornalistas. Ele, por sua vez, tem bom trânsito com profissionais da imprensa e costuma atender muitos pelo nome. As conversas, inclusive, se estendem para temas fora do aspecto político.

Na quarta-feira (7/11), ao ser questionado se o Ministério da Agricultura teria o perfil alterado com a indicação de Tereza Cristina, Heleno brincou que a pasta se transformaria em vegana.

O general da reserva diz que o seu celular está uma “loucura” e difícil de atender a todos. “São centenas de ligações e mensagens”, comenta, ao acrescentar que não está mais conseguindo ler todas as mensagens em aplicativos de conversa, inclusive do grupos que reúne amigos de longa data, como o dos ex-colegas da  Academia Militar de Agulhas Negras (Aman).

Guru de Bolsonaro
O papel de destaque do braço direito de Bolsonaro ganhou força durante a campanha. Heleno liderou o Quartel-General em Brasília, composto por militares e civis, apoiadores do então candidato do PSL, que ajudaram a construir o plano de governo do ex-capitão do Exército.

As reuniões se concentraram em uma sala no subsolo do Brasília Imperial Hotel, no centro da cidade. Neste time, como Heleno gosta de falar e conversar sobre futebol, ele pôde ser considerado o camisa 10 do presidente. Condição reforçada pelo convite para assumir o cargo de vice na Coligação e descartada após o PRP, partido o qual o general da reserva se filiou, vetar a participação.

No futuro time, Heleno também deverá assumir o mesmo número com a confiança do presidente eleito ao assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), posto importante do chamado núcleo duro do Palácio do Planalto. Inicialmente, o general era apontado como possível ministro da Defesa.

Estou por enquanto no vestiário, colocando camisa, chuteira e calção para entrar em campo. Não tenho muito o que comentar [sobre o governo de transição]. A maioria deles são meus amigos de muito tempo. [Assumir o GSI] É um trabalho que me enobrece, me envaidece pelo fato de o presidente ter preferido que eu fique junto dele, isso é muito importante. Espero corresponder a essa confiança que ele demonstrou

general Augusto Heleno

A importância do guru de Bolsonaro é destacada pelo vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Segundo ele, o futuro nome do GIS é uma “cabeça brilhante que não pode ser desperdiçada”.

Perfil
Na ativa, Heleno alcançou proeminência como primeiro comandante da Missão das Nações Unidas para a Estabilização o Haiti (Minustah), entre 2004 e 2005. No final do segundo governo Luiz Inácio Lula da Silva, ele foi comandante militar da Amazônia. Nesse posto, confrontou-se com a política indigenista do presidente petista. Em Brasília, o general chefiou o Centro de Comunicação Social do Exército (CComSEx).

Heleno se destacou entre os colegas desde a graduação na Academia Militar de Agulhas Negras, em 1969, quando conquistou o primeiro lugar da turma na arma de Cavalaria. Também teve a melhor colocação na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e na Escola de Comando e Estado Maior do Exército (Eceme).

Pela patente e pela liderança, Heleno é uma espécie de guru de Bolsonaro, principalmente, na área de segurança. Na campanha presidencial, chegou a ser cotado como candidato a vice, mas por divergências partidárias a vaga ficou com outro general, Hamilton Mourão.

O guru de Bolsonaro formou-se nos quarteis durante a ditadura, defende os governos instalados pelo golpe de 1964 e critica as administrações petistas. Mais habilidoso nas palavras do que Mourão, tende a concentrar mais poder do que o vice eleito.

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