O governo Trump usou o tiroteio ocorrido perto da Casa Branca no último sábado (23/5) para defender a construção de um salão de baile no local. O Departamento de Justiça afirmou que o ataque reforça a “necessidade crítica” do projeto, orçado em US$ 400 milhões. Em um documento enviado à Justiça federal, o governo pediu que um juiz derrube a ordem judicial que impede a obra.
Um homem de 21 anos, identificado como Nasire Best, morreu após trocar tiros com agentes do Serviço Secreto. De acordo com a polícia de Washington, um pedestre foi atingido e levado ao hospital com ferimentos que não representam risco de morte.
Os advogados do governo argumentam que o salão serviria como um “abrigo seguro” contra futuros ataques. Eles afirmam que a construção faz parte do East Wing Project e incluiria reforços como aço pesado, teto à prova de drones, vidro resistente a balas e explosões, além de abrigos, instalações médicas e estruturas militares. O governo também declarou que o telhado será “hermeticamente selado”. Sem o salão, segundo os advogados, os eventos na Casa Branca teriam de ser realizados em tendas “vulneráveis” do lado de fora, expostas à chuva e a outras ameaças.
O processo contra a obra foi movido pelo National Trust for Historic Preservation. A entidade tenta impedir o que chama de construção ilegal de um grande salão de baile, após a demolição de toda a Ala Leste da Casa Branca. Em março, o juiz federal Richard Leon afirmou que o presidente é o “zelador” da Casa Branca, mas não o dono. Ele disse que qualquer obra precisa de autorização do Congresso, independentemente da origem dos recursos, sejam públicos ou privados.
O Departamento de Justiça informou que há doadores privados dispostos a bancar “centenas de milhões de dólares”. Ao mesmo tempo, o governo pediu US$ 1 bilhão aos contribuintes para as obras de segurança da Casa Branca, incluindo o salão de baile.
O Serviço Secreto relatou que Nasire Best sacou uma arma da bolsa e abriu fogo contra os agentes no local. O porta-voz Anthony Guglielmi afirmou que os policiais revidaram e atingiram o suspeito, que morreu no hospital. De acordo com o jornal Washington Post, Best havia cortado contato com amigos e familiares e dizia ser Jesus Cristo. Ele já tinha sido preso por invasão de propriedade e por entrar em uma área restrita dos terrenos da Casa Branca, além de ter sido internado involuntariamente no ano passado.
