Ao retuitar, neste sábado (16/3), uma postagem sobre a discussão ocorrida entre a embaixadora brasileira Maria Nazareth Farani Azevedo e o ex-deputado federal Jean Wyllys, na sede mundial da ONU, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, cometeu a gafe de colocar a cidade de Genebra, localizada na Suíça, na Alemanha.

A postagem, assinada originalmente pelo grupo de seguidores do filósofo Olavo de Carvalho chamado de “Geração Conservadora”, contém fotos do ex-deputado e da embaixadora, além da inscrição: “Embaixadora do Brasil esculacha Jean Wyllys na Alemanha em reunião da ONU. Sua presença aqui envergonha o Brasil”, diz o texto, referindo-se ao ex-deputado.

Ao compartilhar o post, Damares ainda se referiu à embaixadora com intimidade, ressaltando que os amigos a chamam de Lelé. “Tive a honra de conhecer a embaixadora do Brasil em Genebra. Uma mulher ética, competente, íntegra, já está no Itamaraty há mais de três décadas. Ela ama o Brasil, uma genuína patriota. Os amigos a chamam carinhosamente de Lelé. Não fale mal do Brasil e do governo perto dela”, destacou a ministra.

Reprodução/Twitter

Logo após a postagem, a ministra virou alvo de críticas nas redes sociais. “Na Alemanha!!!?? Fake news que não foi à aula de geografia! Hahaha”, disse o jornalista que divulgou o vídeo, Jamil Chade, do jornal O Estados de São Paulo, que cobre ONU há mais de 20 anos.

“Genebra fica na Alemanha só se for na geografia gospel”, disse outro internauta.

O curioso é que a ministra esteve no final de fevereiro na sede da ONU em Genebra, onde discursou na 40ª reunião do Conselho de Direitos Humanos da entidade internacional. Na ocasião, Damares se emocionou ao lembrar das piadas feitas com ela a respeito da história que contou em um vídeo.

Nas imagens, a ministra contava que havia encontrado a imagem de Jesus Cristo em um pé de goiabeira. O episódio ocorreu quando Damares tinha 10 anos e pensava em se matar devido aos abusos sexuais que havia sofrido.

À noite, a assessoria da ministra informou que percebeu o erro da postagem e incluiu um alerta em sua página: “Pessoal, vale o alerta. Na postagem anterior deixei claro que nosso querida embaixadora presta serviço em Genebra, na Suíça. Mas a imagem que compartilhei diz, de forma equivocada, que o fato ocorreu na Alemanha. A ressalva é para que todos que compartilharam também a façam”, destacou.

Embate
Nesta semana, o ex-deputado Jean Wyllys foi convidado a falar em um evento sobre o populismo no mundo, e a discussão começou quando ele discursava sobre o aumento do autoritarismo no Brasil, citando o governo de Jair Bolsonaro (PSL) como exemplo.

“Os novos autoritarismos são os velhos autoritarismos, agora articulados com as características próprias da contemporaneidade. Novos autoritarismos, como o do Brasil, continuam elegendo inimigos internos da nação por meio da difamação e constituindo grupos para culpá-los pelos problemas econômicos”, disse Wyllys na ocasião.

A embaixadora, que havia chegado atrasada ao evento, pediu para intervir, no entanto, teve a palavra negada pela moderadora. Jean Wyllys continuou discursando. “Não pude assumir meu terceiro mandato para o qual fui democraticamente eleito por conta de ameaças de morte que vinha recebendo desde 2011 e, em especial, durante a campanha de 2018”, disse o ex-deputado, que está morando na Alemanha após decidir sair do Brasil por motivo de ameaças de morte.

Mais uma vez, a embaixadora interferiu em defesa do presidente. “Bolsonaro não abandonou o Brasil, mesmo depois de ter levado uma tentativa real de tirar sua vida”, disse.

Assim que Jean tentou respondê-la, a embaixadora decidiu abandonar a sala e não ouvir sua resposta.

“Se a senhora gosta de debate, a senhora deveria ouvir a minha resposta. O fato de a senhora ter saído, inclusive, do seu lugar e ter vindo com um discurso pronto para esta sala é um sintoma, mesmo, de que a minha presença aqui amedronta a senhora e o seu governo”, disse o ex-deputado, enquanto ela se levantava para ir embora.

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