De acordo com o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, os donos da JBS disseram em delação à Procuradoria-Geral da República (PGR) que gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lucio Funaro, ambos presos pela Operação Lava-Jato. Temer teria indicado o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver a questão.
Ao saber da iniciativa, o presidente Temer, teria dito que “tem que fazer isso, viu?”. Ainda de acordo com a notícia, Loures teria sido filmado recebendo R$ 500 mil providenciados por Joesley Batista, um dos donos da JBS.

A revelação é muito grave tanto do ponto de vista político quanto por seus aspectos jurídicos, e pode desencadear uma série de eventos potencialmente catastróficos para o governo.

1. Como já estava no exercício da presidência da República durante a gravação do empresário, Temer pode ser investigado por obstrução de Justiça. A autorização depende do plenário do Supremo Tribunal Federal e poderá ser pedida pela PGR;
2. As revelações podem mobilizar a oposição em favor do impeachment de Temer. O deputado Alessandro Molon (REDE-RJ) já apresentou um pedido. A aceitação depende do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ);
3. O dramático enfraquecimento político do governo, no mínimo, deve provocar atraso no calendário de tramitação das Reformas Trabalhista e Previdenciária. Não há como prosseguir o debate com suspeitas de tamanha gravidade. Não devemos descartar o abandono da agenda de reformas;
4. O episódio pode afetar o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral, marcado para começar no dia 8 de junho. Caso o governo não consiga conter o dano, o julgamento do TSE pode servir de válvula de escape para a crise e determinar a anulação da chapa Dilma-Temer. Já que poderá ser o caminho mais curto para afastar o presidente e resultar numa eleição indireta no Congresso para um mandato-tampão;
5. O episódio poderá dar força às manifestações e mobilizações defendendo o “Fora, Temer” e em favor de eleições diretas;
6. Se as denúncias forem devidamente comprovadas, e tiverem desdobramentos ainda mais negativos, não descartamos a possibilidade de renúncia como forma de abreviar a crise e dar uma chance de recomeço político.
Por fim, reiteramos que a gravidade dos acontecimentos para a viabilidade do governo Temer dependerá de sua devida confirmação.

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