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Imagem: Wsimag

Filippe Mota, sitiodeatibaia

O lucro. O que move o homem mais do que o desejo pelo lucro, pelo poder e o conforto que dele advém? Afinal, não é outra a justificativa para o progresso impulsionado pelo nosso sistema de produção capitalista.

O homem é naturalmente egoísta, certo?

Exploremos, portanto, o defeito em benefício da humanidade, do seu progresso. Incentivemos esse defeito. Que o homem seja mais egoísta e mais produtor ele será, mais progresso ele trará, mais poderosa a nossa sociedade se tornará.

Nessa corrida incessante movimentam-se os postos de gasolina, misturando água à gasolina, para fazer maior o seu lucro, os traficantes de drogas, misturando as folhas de maconha ao esterco, com o objetivo de fazer maior o seu lucro, os produtores de alimentos, utilizando mais fertilizantes – nocivos ou não – às plantações, para fazerem menores as suas perdas e maiores os seus lucros, as mineradoras, utilizando formas menos eficazes de barragens, para fazerem menores os seus gastos e maiores os seus lucros, os médicos, fazendo suas cirurgias em áreas despreparadas, onde o custo para ambos – cliente e empreendedor – é mais baixo, e onde o lucro para ele acontece, os clubes/empresas de futebol, focando seus gastos nos seus caros jogadores e reduzindo nos seus baratos jogadores, tratados ambos à medida do lucro que proveem, sempre rezando a fórmula eficaz: ao menor gasto possível o maior lucro obtenível.

E ao som da sirene, se ela toca, com o estrondo do desastre, dos problemas nos carros causados pela adulteração dos combustíveis, das mortes por troca de tiros entre facções rivais pelo domínio do tráfico, pelo câncer causado pelos fertilizantes, pelas mortes causadas por barragens rompidas, pelas mortes causadas por cirurgias mal sucedidas, pelas mortes causadas pelos incêndios dos prédios mal cuidados, procuramos rapidamente o culpado.

Qual o seu nome? Qual a sua cara? Onde ele está? Prendam-no! Resolva-se! Cláudio, Neto, Yassuda, Nem, Rogério, Marcinho. Normalizemos o sistema!

A sirene cessa, o barulho acalma, as engrenagens voltam a mover-se, ainda lentamente, retomando a sua força aos poucos, incentivando o homem ao lucro, enfatizando o seu defeito com o intuito de aperfeiçoá-lo.

Os empreendedores trocam, os empreendimentos continuam, com menores custos onde lhes custa, com maiores gastos onde lhes convém, conforme são maiores os lucros que destes obtêm.

O lucro move o homem, que move a roda, que passa por cima de uns que lucram sobre os outros que tentam lucrar sobre os que não lucram, que proveem o lucro, que cerram os punhos e põem-se a ansiar por mover um dia a roda que gira por cima de si, mas que gira e passa e continua a girar sem saber por quem passa ou quem a gira, mas passa.

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