Aí, no dia da abertura da copa na Rússia, você acorda num pequeno pedaço do paraíso, no norte da Itália, e se depara com manchetes sobre a prisão, ontem, de um grande empreendedor, Luca Parnasi, 41 anos, flagrado em ofertas de propinas a autoridades locais de Milão, depois de ter corrompido as de Roma, em troca do quê? De um grande estádio esportivo, assim como já havia conseguido antes, e com os mesmos métodos, a obra de um grande estádio da capital do país, e que ainda não concluído.
O construtor (equivalente a um Odebrecht brasileiro) e seus principais colaboradores dormiram na cadeia.
No total, seis foram presos ontem, e outros três estão em prisão domiciliar.
De um lado os vilões, de outro um herói: o secretário de urbanística, verde e agricultura de Milão, Pierfrancesco Maran, que, para orgulho dos locais, rejeitou não só as propostas de corrupção para a obra do estádio, como também a generosa oferta de uma casa para ele mesmo, pessoa física.
Maran tem 38 anos, e respondeu, segundo um dos diálogos reproduzidos: “em Milão, não se usa”.
E: “aqui não funciona assim”.
Soa familiar?
O maior jornal da Itália, Corriere della Sera (correio da tarde), com sede em Milão, não esconde o orgulho local.
Sílvio Berlusconi, o magnata milanês mais corrupto de que o país tem notícia, 82 anos e inelegível até 2019, não é mencionado.
Mudaram as gerações, os outsiders chegaram ao poder, a corrupção não deixa de se alastrar, mas, assim como no Brasil, surge um corpo de procuradores e promotores dispostos a combater a roubalheira que, lá como cá, sangra os já combalidos cofres públicos.
Com óbvios prejuízos aos contribuintes.