As cidades precisam de mais verde e de áreas de convivência ao ar livre entre o asfalto
e as edificações oferecendo um respiro para o estressante cotidiano da selva de pedra. A
questão, entretanto, vai além de como proporcionar vida ao ar livre em regiões já adensadas, mesclando-a com o tecido urbano que, rotineiramente, é utilizado pelo cidadão. Afinal, o que entendemos quando imaginamos um oásis assim tão desejado?
A solução tradicionalmente empregada e já descartada por cidades importantes mundo afora é a criação de grandes áreas de terra selvagem, caras para incorporar e mais ainda para manter, de acesso difícil e geralmente apartadas da malha viária e desta forma de uma frequência constante, diuturna. Os tais paraísos acabam invariavelmente por cumprir sua vocação para vazio urbano.

A alternativa encontrada tem sido aproveitar espaços públicos obsoletos, mas que necessitam de reformas para se transformar em áreas verdes a um custo baixo. Em Berlim, o desativado aeroporto Tempelhof foi transformado em um parque, em 2010, e se tornou uma das atrações da capital alemã.

“Algoritmo encontrou a cidade mais verde do mundo” Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/haus/urbanismo/algoritmo-encontrou-a-cidade-mais-verde-do-mundo/ Copyright © 2019, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

Seguindo esse modelo, a cidade de Quito, no Equador, também inaugurou o seu parqueaeroporto em 2013, o Parque Bicentenário. Outra variante é o aproveitamento de linhas de trens abandonadas. Em Sydney, foi inaugurado em 2015 o The Goods Line, projeto que usa uma linha de trem para criar um espaço público no centro da cidade.
A antiga linha ferroviária também foi utilizada para criar o The 606, em Chicago. Talvez o mais famoso deles seja o High Line, de Nova Iorque. Inaugurado em 2009, o espaço foi feito em uma seção elevada da New York Central Railroad, percorrendo a cidade por mais de 2,3 km. Seul, por sua vez, resgatou o rio Cheonggyecheon debaixo de uma estrada, transformando seis quilômetros de seu trajeto em um jardim a céu aberto.

O conceito na realidade nem é tão novo. Barcelona, já em 1926, comprou a preço de banana um empreendimento imobiliário falido para criar o magnífico Parque Guell. Fortaleza carece, urgentemente, de se desvencilhar de abordagens ideologicamente contaminadas e conceber estratégias que aproveitem espaços semelhantes, tais como a Estação João Felipe, o bosque do 23° BC, os galpões da RFFSA, o esqueleto do Acquário e tantos outros disponíveis.

O gasto seria infinitamente menor para aquisição e manutenção ,talvez até sem nenhum
dispêndio por tratarem-se de equipamentos públicos que podem ser objeto de compensações recíprocas ou até mesmo de compartilhamento entre os respectivos órgãos.
O pobre mortal aqui da rua, que prefere um lugar aprazível e seguro para a sua modesta
caminhada ao invés de um safári ou trilha na floresta, agradeceria penhoradamente.

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