O engenheiro Emyr Diniz Costa Júnior, homem de confiança da direção do Grupo Odebrecht, confirmou à Justiça Federal na segunda-feira (5/11) que a empreiteira executou a reforma do sítio de Atibaia (SP). A Operação Lava Jato considera a propriedade posse oculta de Luiz Inácio Lula da Silva e diz que os recursos saíram do caixa do Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propinas da empresa. Lula sempre negou ser proprietário do sítio.

Emyr é um dos 77 delatores da Odebrecht, responsável pelo maior acordo de colaboração da Lava Jato, homologado em janeiro de 2017. Ele já havia confessado ter sido escalado com engenheiro de confiança da empresa para executar a reforma do “sítio de Lula” e indicou como foi operacionalizada a obra, com pagamentos feitos via ex-segurança do petista Rogério Pimentel, com valores recebidos do setor de propinas.

O engenheiro foi o primeiro réu do processo do sítio de Atibaia a ser ouvido pela juíza federal Gabriela Hardt, que substitui o titular da 13ª Vara Federal, Sérgio Moro. Ele está de saída para assumir o Ministério da Justiça, no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

O ex-presidente será ouvido na próxima semana, no dia 14 de novembro – Lula está preso desde o dia 7 de abril, condenado a 12 anos e um mês no caso do triplex do Guarujá (SP).

Emyr detalhou à juíza da Lava Jato um suposto encontro que teve com o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, três meses após o término da obra do sítio para a regularização formal da reforma. A Odebrecht não deveria aparecer no negócio.

“Fui lá instruído para poder encontrar uma forma de regularizar a obra para não parecer que a Odebrecht tinha feito e que constasse que o senhor (Fernando) Bittar tivesse feito”, afirmou o engenheiro.

Nesse processo, Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de ter recebido mais de R$ 1 milhão em propinas da Odebrecht, OAS e da Schahin na reforma da propriedade – que está registrada em nome de dois sócios e amigos dos filhos do ex-presidente.

Segundo Emyr, a Odebrecht construiu uma casa para os seguranças do ex-presidente, terminou quatro suítes do imóvel, reformou a piscina, que tinha vazamento, fez uma sauna, um alambrado do gramado do campo de futebol do sítio, e ainda ficou faria uma ampliação do lago e uma quadra de tênis.

O engenheiro disse que recebeu dinheiro do Setor de Operações Estruturadas e entregava em envelopes para o funcionário Frederico Barbosa, responsável por fazer o repasse ao segurança de Lula. Ele ia até os fornecedores de materiais para pagar a construção. “Em envelopes fechados para que o Frederico entregasse ao senhor Aurélio”, destacou.

Ainda conforme o engenheiro, o esquema era para ocultar a Odebrecht nas obras, que deveria ser entregue rapidamente, pois o ex-presidente poderia usar o sítio ao deixar a Presidência – Lula foi presidente até dezembro de 2010, ano em que o sítio foi comprado.

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