O papa Francisco fará em fevereiro de 2019 a primeira visita de um pontífice aos Emirados Árabes Unidos, anunciou o porta-voz do Vaticano, Greg Burke. Esta será a terceira viagem do atual papa a um país muçulmano, depois de suas passagens pelo Egito e pelo Líbano. Uma quarta jornada, desta vez para o Marrocos, está prevista para março.

“A visita aos Emirados, como que se deu ao Egito, mostra a importância fundamental que o Santo Padre dá ao diálogo inter-religioso”, disse Burke. “A visita do papa Francisco ao mundo árabe é um exemplo perfeito da cultura do encontro.”

O tema da viagem será a paz, segundo Burke, com uma pomba levando uma folha de oliveira como logotipo. Mais do que motivar o diálogo pacífico entre as religiões, a mensagem poderá também seguir uma linha mais espinhosa: a atuação dos Emirados na coalizão militar que combate os rebeldes houthis no Iêmen, onde 14 milhões de pessoas estão sob risco de morte por fome.

O pontífice estará em Abu Dhabi entre os dias 3 e 5 de fevereiro, segundo a rede de televisão Al Jazeera, convidado pelo príncipe herdeiro, xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e pela comunidade católica local. As conversas entre o governo dos Emirados com a Santa Sé sobre a primeira visita papal ao país se desenrolam desde 2016.

O próprio príncipe herdeiro manteve conversas com o então secretário de Estado da Santa Sé, Pietro Parolin, em 2016. Um dos argumentos em favor da visita é a presença de uma comunidade cristã, com diferentes denominações, de 900.000 fieis. Muitos deles são imigrantes filipinos. Há pelo menos dez igrejas católicas nos sete emirados que compõem o país.

Milhares de cristãos vivem nos países vizinhos do Golfo Arábico, onde a cristandade fincou raízes desde o século VI. A visita do papa Francisco deverá atrair fortemente a presença desses fieis a Abu Dhabi.

O papa Francisco deverá realizar também em 2019 uma visita inusitada à Coreia do Norte e outra ao Japão. Em sua agenda, já estão confirmadas a sua viagem ao Panamá, entre 22 e 27 de janeiro, para participar da Jornada da Juventude Católica.

‘Globetrotter’

Aos 81 anos, o cardeal argentino Jorge Bergoglio já visitou 29 países mais a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Conselho e Parlamento Europeus em seus cinco anos de pontificado. Assim como seu antecessor João Paulo II, nos anos 1990 e 2000, Francisco mostrou-se disposto a levar a mensagem da Igreja Católica ao maior número de países possível, a promover diálogos com outras religiões e a desestimular lutas e discriminações por razão de fé.

No Brasil, o papa esteve logo no início de seu pontificado, em 2013, para a 28º Jornada Mundial da Juventude Católica, entre 22 e 29 de julho. Na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, celebrou uma missa que reuniu 3 milhões de fieis.

Até o momento, Francisco esteve presente em nove países da América Latina, onde está a maior concentração de católicos do mundo. Além do Brasil, no Equador, na Bolívia, no Paraguai, em Cuba, no México, na Colômbia, no Peru e no Chile. Com a visita ao Panamá esse total passará a 10.

Mas jamais pôs os pés na Argentina desde que calçou as sandálias de São Pedro. Uma das hipóteses mais prováveis para esta omissão diz respeito à cautela do pontífice quanto ao risco de ter sua imagem vinculada ao governo ou à oposição argentina. Em junho de 2015, a então presidente argentina Cristina Kirchner forçou uma visita ao papa e a conseguiu. O encontro repercutiu mal nos setor anti-kirchneristas.

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