A fabricante de equipamentos para redes ópticas Furukawa vem crescendo ano a ano no Brasil e no mundo. E seus executivos não enxergam redução do crescimento tão cedo. A expansão deve se prolongar por anos, conforme previsões do presidente do grupo, Kei Kobayashi.

Em visita ao Brasil, o executivo explica que a sociedade conectada do futuro, baseada nas redes 5G, vai demandar muita velocidade e flexibilidade nas redes físicas. Estas serão todas baseadas em fibra óptica. “Sem fibra, não haverá 5G”, vaticinou, em encontro com jornalistas na capital paulista.

Segundo ele, mesmo que a 5G demore a chegar, há espaço de sobra para crescimento da demanda por fibra. “No Japão, 95% das residências têm FTTH. Nos EUA, são 20%, e eles estão começando a migrar do modelo predominante, o HFC. No Brasil, são 5%, no Reino Unido e na Alemanha são 10%. Isso mostra que há muito onde crescer. E também que, inicialmente, o 5G estará disponível em alguns locais apenas”, prevê.

A quinta geração de redes móveis vai acrescentar mais velocidade, menor latência e mais camadas às redes de telecomunicações. A padronização IMT-2020 define 5G como redes móveis capazes de entregar velocidades de 10 Gbps, com latências de 5 ms, e prevendo segmentação de rede por serviços (network slicing). A fibra entra como insumo essencial para a rede de transporte.

As operadoras mundo afora estão consumindo quase toda a fibra produzida, preparando-se para o aumento de velocidade e da troca de dados pela internet. Kobayashi ressalta que a China compra 50% de toda a fibra mundial. “Mas não é de alta qualidade”, diz o executivo. O tipo consumido na China é feito em abundância, e não deve faltar no mercado, a seu ver.

Cenário diferente em relação aos produtos mais complexos, fibras de alto valor agregado. “Esta sim, pode eventualmente faltar no mercado”, diz. Para evitar que a falta atrapalhe o crescimento, o Grupo Furukawa acelerou investimentos. Até 2020, a companhia vai dobrar a produção de fibra óptica em suas unidades, investimento que somará US$ 150 milhões.

No Brasil, provedores mantém mercado aquecido

Na planta brasileira, haverá expansão de 30% a 40% ano que vem na produção, após crescimento similar neste ano. Em termos financeiros, o investimento feito este ano de R$ 48 milhões aumentará para R$ 58 milhões.

Foad Shaikzadeh, presidente da Furukawa Brasil, explica que por aqui a demanda segue capitaneada pelos provedores regionais de acesso.

“Estes já compravam muito, mas também recorriam demais ao mercado cinza. Já começaram a perceber que o produto não homologado pode colocar em risco uma operação inteira, e estão aumentando o investimento no produto de qualidade”, diz.

A outra metade da produção segue sendo comprada pelas quatro principais operadoras de banda larga do país, principalmente pela Vivo, a maior em assinantes de planos de ultra banda larga em fibra. Mas ele espera aumento da participação da Oi nas vendas, e ressalta que Claro e TIM estão acelerando projetos de FTTH.

Para Shaikzadeh, a demanda por fibra poderia ser maior se o PLC 79, projeto de lei que redefine o marco regulatório do setor de telecomunicações no país, fosse aprovado. “Se ele fosse aprovado, a velocidade da implantação seria maior. Mas esse investimento vai ter de sair de qualquer jeito. O 5G vai exigir fibra, e o Brasil está muito atrasado neste quesito”, ressalta.

Mais velocidade e capacidade também significa mais tráfego dentro dos data centers. Por isso a Furukawa pretende lançar nos próximos meses um cabo para interconexão de centros de dados hyperscale com nada menos que 6.912 fibras ópticas.

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