Não, não é brincadeira. Pelo menos acho que não é. Pelo menos não deveria ser. Eu não sei se é, estou em sérias dúvidas, mas é isso mesmo. Uma pesquisa aponta que os polvos e lulas são criaturas “extraterrestres”. Sim, ET Lula Home. Não apenas isso, esses seres filhotes de Cthulhu evoluíram em outro planeta antes de chegar à Terra, há centenas de milhões de anos, caindo aqui sob a forma de ovos congelados.

Desce mais uma cachaça, Reinaldo, que eu não vou escrever isso sóbrio!

O dr. Edward J. Steele é imunologista molecular e trabalha como professor visitante da Universidade Murdoch, na Austrália. A pesquisa de Steele foca nas teorias de Lamarck (sim, aquelas que muitas foram substituídas pela Teoria da Evolução por Seleção Natural, e pisoteada pela Teoria Sintética da Evolução). Junto com 33 cientistas, Steele defende a ideia que o milagre, digo, o DNA, digo, os cefalópodes vieram do Espaço.

Cara, isso não é nem panspermia. Tipo, choveu ovos congelados já fertilizados de polvos e já evoluídos como polvos. Daí eles caíram aqui na Terra no período pré-cambriano e se desenvolveram felizes, leves e soltos. A alegação é que como são corpos moles, sem ossos ou cartilagens pronunciadas, não ficou nada como registro fóssil, então, se o dr. Steele disse, tá dito, mesmo ele sem ter nenhuma comprovação disso.

Calma que tem mais. Não, efetivamente a vida não surgiu aqui, de acordo com a pesquisa. O “repentino” florescimento da vida durante o Cambriano se deveu a uma imensa quantidade de nuvens de moléculas orgânicas. Do ponto de vista químico, eu só digo: VAI ESTUDAR QUÍMICA, STEELE!

Molécula orgânica nenhuma passaria pela atmosfera e cairia aqui assim, sem mais nem menos. E por molécula orgânica devem dizer algo como proteínas e enzimas, apesar que vapor de metano TAMBÉM é uma molécula orgânica. Sobre a tida “explosão do Cambriano”, eu expliquei muito bem no meu artigo Evolução x Criacionismo. Não houve explosão nenhuma, só não temos registros fósseis. Mas, calma, que tem mais!

Este artigo ainda estabelece que o genoma do polvo mostra um nível impressionante de complexidade com 33.000 genes codificadores de proteínas, mais do que está presente nos seres humanos. Sabem o que isso significa? NADA! Não basta ter genes, é preciso que eles sejam expressados. E mesmo que os polvos tivessem genes expressados, sabem o que isso significa? TAMBÉM NADA, já que eles não conseguem nem te um sistema imunológico como nós ou capacidade de ciência e tecnologia, já que o cérebro deles, apesar de ser o mais desenvolvido entre os invertebrados, não se compara com o nosso, mesmo levando em conta gente que defende panspermia.

O artigo ainda continua:

Seu cérebro grande e sistema nervoso sofisticado, olhos semelhantes a câmera, corpos flexíveis, camuflagem instantânea através da capacidade de mudar de cor e forma são apenas algumas das características marcantes que aparecem repentinamente na cena evolucionária.

Sabem que tem camuflagem instantânea? Lagartos, como o camaleão. Ou mesmo peixes como o xerne. Têm mimetização? Não. Seu sistema nervoso é bom? Até pode ser e olhos semelhantes a câmeras… bem, eu não sei o que ele quis dizer com isso. Olho bão mesmo é das corujas que enxergam em infra-vermelho (e todo corpo acima do zero absoluto emite radiação infra-vermelha, fazendo das corujas excelentes predadores) e abelhas que enxergam em ultra-violeta. Polvo não consegue nem andar na terra. É um peixe fora d’água, mesmo sem ser um peixe. Polvo é um bicho tão imbecil que ele é pego deixando um balde no fundo do oceano. O tosco do polvo vai lá, acha que é um lugar maneiro para morar, entra no balde e enche de terra e dentritos para se fechar lá dentro. Daí, você puxa o balde.

NOOOOOOOOOOOOOSSA, inteligentão este bicho, né?

Mas espere. Como assim uma publicação indexada permite isso?

Isso até pode depor contra os periódicos com revisão de pares, mas isso é MUITO questionável. Um referee (quem vai analisar o seu artigo) não deve se meter na pesquisa. Ele deve avaliar as questões que foram levantadas e examinar se a pesquisa seguiu metodologia científica, não julgar se você está certo ou errado. A pesquisa pode até ter seguido o Método Científico, mas os dados estavam errados e a conclusão é um emaranhado de sandices. O referee leva em conta a lisura da pesquisa, mas isso pode ser questionado no momento se a pesquisa faz sentido ou não. Quando o referee se mete, acaba no que aconteceu com a drª Suzana Herculano-Houzel, cuja pesquisa apontava que os cérebros dos seres humanos não possuíam 100 bilhões de neurônios, e o referee da Science discordou, achando que ela estava errada, mesmo com todos os dados ali. Sim, referee também comete erros.

De qualquer forma, a pesquisa que foi publicada no periódico Progress in Biophysics and Molecular Biology e será avaliado e examinado por uma miríade de cientistas, daí choverá artigos contestando ou concordando, e se tem uma coisa que não existe é todos os cientistas concordando com alguma coisa num grande esquemão global para esconder fatos. Leia o artigo e tire as suas conclusões.