A China tem cerca de 1,4 bilhão de habitantes. É muita gente, se você não entendeu a implicação deste número. Alimentar esta galera toda não é fácil, como eu penso que você pode imaginar. Assim, acabam apelando para todo tipo de iguaria, como cães, macacos e até insetos. Grilos principalmente. É nojento? Que nada! Grilos são ricos em fibras, como a quitina, um polissacarídio insolúvel, como a celulose dos vegetais, que faz parte dos exosqueletos dos artrópodes. A quitina é diferente da fibra alimentar encontrada em alimentos como frutas e vegetais, mas será que o resultado seria o mesmo? Porque seu corpo não processa as fibras vegetais, e isso serve como fonte de alimento para bactérias probióticas, fazendo maravilhas no seu trato intestinal (sem sarcasmo).

Uma pesquisa resolveu estudar os resultados da ingestão de fibras de origem artrópode para saber se influenciam as bactérias encontradas no trato gastrointestinal. Em outras palavras: botaram o pessoal para comer insetos.

Valerie Stull é doutoranda do Centro de Sustentabilidade e Meio-Ambiente Global da Universidade Winsconsin-Madinson. Ela resolveu estudar se comer grilos realmente faz diferença em termos nutricionais e sua atuação no sistema gastro-intestinal. Dessa forma, ela ficou estudando por duas semanas 20 homens e mulheres saudáveis ??com idades entre 18 e 65 anos tomaram ou um café da manhã de controle ou um café da manhã contendo 25 gramas de farinha de grilo em pó, adicionados em muffins e shakes. Cada participante então comeu uma dieta normal por um período de “limpeza”, digamos assim, por mais duas semanas. Durante as duas semanas seguintes, aqueles que começaram com a dieta de grilos consumiram um café da manhã de controle e aqueles que começaram a dieta de controle consumiram um café da manhã de grilos.

Cada participante se serviu como mediante sua própria escolha (ou grilo, ou comida “normal”), sendo o seu próprio controle de estudo e os pesquisadores. Stull e seus colaboradores não tinham conhecimentos de quem escolheu o que. Ao fim de cada etapa, Vavá e seu pessoal coletaram amostras de sangue, amostras de fezes e as respostas de questionários que os voluntários responderam imediatamente antes do início do estudo, imediatamente após o primeiro período de dieta de duas semanas e imediatamente após o segundo período de dieta de duas semanas.

Amostras de sangue dos participantes foram testadas para uma série de medidas de saúde, como glicose no sangue e enzimas associadas à função hepática, e também para os níveis de uma proteína associada à inflamação. As amostras fecais foram testadas para os subprodutos do metabolismo microbiano no intestino humano, produtos químicos inflamatórios associados ao trato gastrointestinal e a composição geral das comunidades microbianas presentes nas fezes.

As cobaias falantes não relataram alterações gastrointestinais significativas ou efeitos colaterais e os pesquisadores não encontraram evidências de alterações na composição microbiana ou inflamações intestinais. Entretanto, os pesquisadores observaram um aumento de uma enzima metabólica associada à saúde intestinal e uma diminuição de uma proteína inflamatória no sangue chamada TNF-alfa, que tem sido associada a outras medidas de bem-estar, como depressão e câncer.

Calma, tem mais: A equipe de milady Valerie percebeu um aumento na abundância de bactérias benéficas do intestino, como a Bifidobacterium animalis, uma cepa que tem sido associada à melhora da função gastrointestinal e outras medidas de saúde em estudos de uma cepa comercialmente disponível chamada BB-12.

A pesquisa foi publicada no periódico Scientific Reports, e está com acesso aberto. Ah e antes que você faça cara de nojinho, deixa de frescura que a onda de comer comida japa é algo bem recente por aqui e você não vai gostar de saber que camarões são praticamente lixeiros do mar e você os adoooooooora que eu sei.

Em breve na praia: OLHA GRILO, GRILO FRITINHO, OLHA GRILO, GRILO FRITINHO, NA MINHA MÃO É MAIS BARATO E GANHA LIMÃOZINHO!

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