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Petrobras se antecipa a queda do petróleo

A Petrobras não revisou seus cálculos e projeções para os preços do petróleo em 2026, mesmo com as cotações elevadas dos últimos 30 dias, impulsionadas pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. De acordo com a diretora de exploração e produção, Sylvia Anjos, a empresa mantém seus preparativos para cenários de preços mais baixos no mercado internacional.

Em conversa com jornalistas após um evento da FGV Energia em Sergipe, Anjos declarou que, se a média de preços permanecer alta, a companhia “não vai ficar triste”, mas não quer ser surpreendida por uma possível queda mais acentuada nos próximos meses.

“Continuamos trabalhando como se o preço fosse ficar abaixo de US$ 60, segundo nosso plano de negócios [2026-2030]. Isso é bom porque a empresa fica resiliente a qualquer tipo de cenário. Não queremos ser pegos de surpresa”, afirmou a executiva.

Ela destacou que o foco da Petrobras está na diminuição de custos e no ganho de eficiência na produção. Um aumento de 1% na eficiência da Bacia de Santos, por exemplo, representa um acréscimo de US$ 1 bilhão no valor presente líquido da estatal.

Sylvia Anjos ressaltou que a petroleira alcançou recentemente um recorde de produção de gás na Bacia de Santos, chegando a 44 milhões de metros cúbicos por dia. A marca foi impulsionada pelo campo de Búzios.

Outro marco foi a produção de 2,92 milhões de barris de óleo em um dia de março, também considerado um recorde. “Foi um dia daqueles perfeitos, em que tudo funciona”, comentou.

Sobre a perfuração do poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá, Anjos informou que os trabalhos seguem normalmente e ainda não atingiram o reservatório, localizado a 6 mil metros de profundidade.

A expectativa é que a perfuração alcance o reservatório no segundo trimestre, quando a empresa deve concluir as operações para verificar a presença de hidrocarbonetos.

Ela explicou que o poço Morpho é o quinto mais profundo da empresa até agora, semelhante a outros perfurados no pré-sal. A diferença é que na Margem Equatorial não há a camada de sal, como nas bacias de Campos e Santos.

Quanto à bacia Sergipe Águas Profundas, a diretora afirmou que a estatal está na fase final de negociações antes de anunciar o resultado da licitação de duas plataformas, Seap 1 e Seap 2.

Segundo Anjos, a Petrobras ainda ajusta detalhes e negocia valores finais com a SBM, vencedora da licitação para construir as unidades. A empresa segue com seus planos de investimento, mantendo a cautela em relação à volatilidade do mercado de petróleo, enquanto busca eficiência operacional e resiliência financeira para os próximos anos.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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