A polícia da Etiópia encontrou nesta quinta-feira (8) uma vala comum com pelo menos 200 corpos entre as regiões Somali e Oromia, no sudeste do país, uma área habitual de conflito étnico.

Segundo a emissora Fana, a vala foi achada durante uma investigação sobre supostas atrocidades cometidas pelo antigo administrador chefe da região Somali, Abdi Mohamud Omar. As autoridades tentam agora descobrir a identidade dos mortos.

Os corpos, porém, parecem estar relacionados com a violência étnica conduzida na região pela milícia policial de Liyu. Abdi Mohamud é acusado de comandar os milicianos.

O líder se viu obrigado a renunciar ao seu cargo no último dia 6 de agosto e foi preso semanas depois pela espiral de violência étnica que explodiu na capital somalí de Jijiga, também conhecida como região de Ogadén.

À espera de julgamento, Mohamud está sendo acusado de tortura e assassinato, além de incitação à violência étnica durante os 13 anos do seu mandato. Em agosto, os milicianos da Liyu realizaram um ataque que matou ao menos 41 pessoas e feriu outras 20.

Os conflitos

Os enfrentamentos étnicos são comuns entre as populações de Oromia, no sul do país, e Somali, no leste. As duas regiões são as maiores do país e compartilham uma área de fronteira de mais de 1.400 quilômetros.

Enquanto os somalis são, em sua maioria, pastores, os oromos tendem a ser agricultores, mas também trabalham com animais. Historicamente, a relação entre os dois povos é de conflito territorial, incluindo disputas por poços e áreas de pastagem.

Os conflitos, contudo, aumentaram no final de 2017. Naquele ano, as incursões da polícia Liyu em Oromia causaram a morte de centenas de pessoas e a fuga de mais de um milhão, na sua maioria oromos, segundo relatórios conjuntos da ONU e do governo da Etiópia.

A violência também é agravada pelos grupos separatistas somalis, principalmente o rebelde Frente de Libertação Nacional Ogadén (ONLF). A organização vive em constante conflito com o governo etíope.

As disputas, contudo, diminuíram no último mês de outubro, quando ambas partes assinaram um acordo de paz.

Ainda assim, por causa da luta étnica, o número de deslocados internos na Etiópia aumentou em 1,2 milhão em meados de 2018, até alcançar 2,8 milhões, segundo dados do Unicef.

(Com EFE)

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