Qual a diferença do cara que mete o pé na jaca e vira um pudim de cachaça, daqueles que fica estirado na sarjeta desmaiado e o Zé Machão que quer arrumar briga com todo mundo? Será que é tudo culpa da mardita? Foi o Cão que botou pra beber? Terá algo acontecendo na cabeça do miseráver que se acha mais macho que todo mundo e resolver quebrar todo e partir pra porrada? Bem, taí uma pergunta interessante; sendo assim, a melhor resposta seria examinar dentro da cachola do brigão com auxílio de ressonância magnética.

O dr. Thomas Denson é psicólogo que trabalha com Psicologia Comportamental e de personalidade, trabalhando como professor adjunto na Faculdade de Psicologia da Universidade de Nova Gales do Sul. Denson resolveu estudar o que acontece dentro da cabeça quando algumas pessoas tomam umas biritas e partem para agressão. Assim, ele pegou umas cobaias, deu umas bebidas pro pessoal e passou no aparelho de Ressonância Magnética para saber o que acontece lá no cérebro.

A ressonância magnética usa campos magnéticos (duh!) que visam medir o fluxo de sangue por determinadas áreas do cérebro. Assim, a área que recebe mais sangue, fica mais acesa que uma árvore de natal na tela do computador, indicando pro especialista quais as áreas do cérebro que estão ativadas.

Denson e seus colaboradores fizeram uma pesquisa que todos vocês gostariam de participar. Deram duas doses para a cobaia e meteram no MRI. Simples. Só tomar dois drinques e ser examinado numa máquina. Simples e rápido, e ainda ganha uma bebidinha digrátis! O que os pesquisadores descobriram é que o álcool faz com que haja algumas mudanças no funcionamento do córtex pré-frontal, mas você provavelmente não está ligado no que isso significa.

O cérebro (seja de quem for) é composto por várias camadas. Claro, se você for uma esponja, não terá cérebro. Se você for daqueles que me xingam, pode até ter cérebro, mas com QI de esponja. O cérebro não é uma coisa só. Essas várias camadas têm função própria. Assim, o tronco cerebral é o que lhe mantém vivo. Você respira, ativa sistema imunológico, seu esôfago usa movimentos peristálticos para levar a comida pro estômago, seu coração bate entre outras coisas primordiais que lhe mantém vivo. Acima desta camada está a camada que evoluiu com os répteis (não por acaso, é chamada “reptiliana”). Trata-se da parte que regula nossa agressividade e territorialidade. Acima dessa está o córtex-cerebral, o que nos fez mais racionais e superiores. É uma parte legal do cérebro, e acho que todo mundo deveria usá-la.

O problema é que é justamente este córtex que nos contém em nossa impulsividade e agressividade. O álcool, em algumas pessoas, faz o córtex pré-frontal funcionar de maneira errática. É como se a correia da coleira começasse a puir. E isso libera o cão selvagem que ela está contendo. Algumas pessoas têm a camada reptiliana mais desenvolvida e o córtex menos. Isso faz com que este tipo de pessoa seja mais agressiva. Em outras palavras, duas doses não farão ninguém agir feito um psicopata por serem álcool. Mas que este álcool ajuda a aflorar o lado malvadinho de certas pessoas, é um fato.

O teste foi legal. Chamaram 50 pessoas e deram duas bebidas. Como era um teste duplo-cego, as pessoas não sabiam sobre o eu era o teste e muito menos o conteúdo da bebida antes de tomarem. Havia vodka entre outras bebidas alcoólicas e bebidas não-alcoólicas usadas como placebo. Denson mandou todo mundo pro aparelho para serem examinados e lá as cobaias, digo, os voluntários tiveram que competir em uma tarefa que tem sido regularmente utilizada nos últimos 50 anos para observar os níveis de agressão em resposta à provocação.

O que aconteceu daí a seguir? Bem, os resultados mostraram que em indivíduos que aceitaram as provocações de forma mais agressiva tinham o seu córtex pré-frontal pouco “iluminado”, ou seja, recebendo pouco sangue. Isso fez com que a referida região controlasse cada vez menos o cão raivoso interior.

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